- Estudo da PUC-PR, com dados do SUS em Curitiba, aponta maior mortalidade pós-infarto em mulheres entre quarenta e cinco e cinquenta e cinco anos.
- Foram analisadas quase cinco mil internações na cidade entre dois mil e oito e dois mil equinze, cruzando dados com registros de mortalidade.
- Possíveis explicações incluem redução de estrogênio na perimenopausa/menopausa, além de fatores vasculares e psicossociais.
- Mulheres podem apresentar sintomas atípicos, como dor nas costas, cansaço e falta de ar, o que pode atrasar o atendimento.
- Profissionais ressaltam a necessidade de pagar atenção aos sintomas e seguir o protocolo de emergência para reduzir riscos e melhorar o desfecho.
Mulheres entre 45 e 55 anos apresentam risco maior de mortalidade após infarto, segundo estudo da PUC-PR publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia. A pesquisa analisou dados de internações pelo SUS em Curitiba, entre 2008 e 2015, cruzando registros de mortalidade ao longo do tempo.
Quase 5 mil pacientes da cidade foram acompanhados para identificar desfechos. Ao segmentar por faixa etária, ficou evidente a maior vulnerabilidade de mulheres na faixa citada. O foco foi entender fatores de mortalidade pós-infarto nessa população.
A relação entre idade, menopausa e desfecho foi central na leitura dos pesquisadores. O declínio de estrogênio durante a perimenopausa e a menopausa pode favorecer alterações nas artérias, influenciando o curso pós-infarto.
Menopausa e sinais atípicos
Segundo a coordenadora do estudo, há lacunas de dados sobre o papel do sexo na mortalidade pós-infarto. A hipótese aponta para causas hormonais e vasculares, associadas ao período de transição hormonal.
Em mulheres, as dores podem aparecer em regiões diferentes do peito, incluindo as costas, acompanhadas de cansaço e falta de ar. Essa variação exige que médicos considerem doença coronariana mesmo sem dor típica.
O impacto do atendimento também é destacado pelos pesquisadores. Em emergências, o raciocínio clínico costuma privilegiar dor precordial típica, regra que pode atrasar o diagnóstico em mulheres.
Atendimento e desfechos
A demora no atendimento eleva o risco de mortalidade. A recomendação é avaliação completa na chegada, com histórico de saúde, fatores de risco e exames como eletrocardiograma e troponina.
Quando há infarto com obstrução total, o tratamento deve ser imediato, com medicamentos ou desobstrução. Em casos menos graves, o acompanhamento é feito com novos exames e medicações.
A pesquisadora reforça a necessidade de que equipes de saúde estejam atentas aos sintomas menos comuns em mulheres. Com protocolo adequado, a recuperação pode ser semelhante à masculina.
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