- Deloitte estima que a IA poupará mais de 3.700 TWh globalmente até 2030, quase quatro vezes o consumo de todos os data centers do mundo hoje.
- O setor está trocando o dogma de “construir primeiro, conectar depois” por um modelo de conexão flexível, para economizar bilhões em infraestrutura.
- Uma solução prática sugerida é desconectar a IA por 18 dias ao longo do ano para evitar sobrecarga na rede.
- Na Europa, os data centers enfrentam gargalos por demanda 24/7 e pela escassez de transformadores e de eletricidade disponível, afetando novas implantações.
- Novos acordos BYOC (faça você mesmo com energia própria) exigem que grandes empresas de tecnologia financiem energia limpa para não repassar custos à conta de residências.
Segundo a Deloitte, a IA pode otimizar sistemas globais e economizar mais de 3.700 TWh até 2030, quase o triplo do consumo de energia de todos os data centers atuais. A ideia contrária ao que se vê hoje é reduzir a operação contínua de máquinas, não apenas ampliar a capacidade.
Especialistas apontam que a IA demanda energia constante para algoritmos ativos. Paweł Czyżak, do centro Ember, defende que data centers não precisam operar na potência máxima o tempo todo. A aposta é por uma operação mais flexível para evitar sobrecarga na rede.
Tese em debate aponta que a indústria está migrando de um dogma de “construir primeiro, conectar depois” para um modelo de conexão flexível. A meta é tornar o consumo de energia mais previsível e reduzir custos de infraestrutura.
Desafios da rede e gargalos regionais
A atual demanda de energia para IA expõe a chamada tirania do 24/7, com necessidade de fornecimento ininterrupto. Dados indicam que os hubs europeus de dados — Frankfurt, Londres, Amsterdã, Paris e Dublin — registraram gargalos que atrasam novas implantações.
Além disso, o gargalo não é apenas tecnológico. A disponibilidade de transformadores e de elétrons livres agrava a situação, dificultando a expansão de serviços alinhados à IA, segundo fontes do setor.
Caminho para a flexibilização energética
Para evitar colapsos, surgem propostas de acordo BYOC, que exigem que grandes empresas de tecnologia financiem energia limpa própria. A medida visa evitar que o custo da IA recaia sobre consumidores residenciais e reduzir dependência de redes públicas.
Fontes de mercado indicam que esse modelo pode viabilizar maior previsibilidade na demanda, permitindo investimentos mais alinhados à geração de energia renovável. O objetivo é sustentar o crescimento da IA sem sacrificar a estabilidade da rede.
Olhar para o futuro próximo
Especialistas destacam que políticas públicas, investimentos em infraestrutura e acordos setoriais serão determinantes para a expansão segura da IA. A combinação entre tecnologia, energia e regulação deve orientar as decisões nos próximos anos.
A reportagem acompanha o tema e seguirá apurando desdobramentos, incluindo impactos para empresas de tecnologia, operadoras de redes e consumidores.
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