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Secretária de Inovação do RS diz que fome impede pensar em tecnologia

Secretária de Inovação do Rio Grande do Sul afirma que IA pode incluir no mercado, mas pode excluir sem contexto humano e ampliar desigualdades

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  • Lisiane Lemos, secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, foi palestrante no São Paulo Innovation Week, destacando que a inteligência artificial pode incluir pessoas no mercado de trabalho ou excluí-las se não houver contexto humano.
  • Segundo ela, o Brasil tem destaque em pesquisa e desenvolvimento, com o CPQD em Campinas, mas ainda enfrenta analfabetismo digital e conectividade, exigindo infraestrutura, energia e transporte adequados para IA.
  • O governo gaúcho mantém um ecossistema que vai desde qualificação de professores a inclusão digital de idosos, com programas como Família Gaúcha, RS Talentos e Avança Mulher Empreendedora.
  • Ela defende que toda empresa será uma empresa de tecnologia e que a diversidade precisa existir nos espaços de decisão para evitar vieses em algoritmos; a tecnologia deve ser usada com contexto e responsabilidade.
  • No setor público, o ritmo é mais lento, mas há cooperação com o setor privado para treinamentos gratuitos e implementação de soluções que levem tecnologia a quem precisa, sempre considerando a representatividade e o impacto humano.

Lisiane Lemos, secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, abriu o debate sobre o papel da inteligência artificial (IA) no Brasil. Ela participou do São Paulo Innovation Week para discutir como a IA pode incluir ou excluir pessoas do mercado de trabalho, dependendo do contexto humano.

A executiva também ressaltou que bases de dados alimentam a IA e que ajustes são necessários para evitar vieses. Em entrevista ao Estadão, ela destacou que a ausência de séries históricas pode tornar raro o acesso de determinadas identidades a cargos de ciência e tecnologia.

Além disso, Lemos coordena um ecossistema gaúcho com ações de qualificação de docentes, inclusão digital de idosos, resiliência climática e formação de engenheiros. O objetivo é ampliar o alcance da tecnologia no estado, sem deixar pessoas para trás.

Contexto e participação no evento

Durante o encontro, a secretária destacou a importância da diversidade como elemento estratégico nas decisões e em conselhos de administração. Ela também enfatizou o papel da tecnologia na emancipação de mulheres impactadas por violência doméstica e desastres no RS.

Ela afirmou que toda empresa tende a se tornar uma empresa de tecnologia, desde que haja governança adequada e representatividade nos espaços de decisão. A fala ocorreu à beira de palestras e painéis do festival, que reúne mais de 2 mil participantes entre 13 e 15 de maio.

Panorama brasileiro sobre IA

Para ela, o Brasil tem força em pesquisa, produção de conhecimento e incentivo à inovação, com destaque para o CPQD, em Campinas, em áreas como 5G, 6G e fibra ótica. Ainda assim, persiste o desafio de levar conectividade e alfabetização digital a parcelas da população.

Ela aponta que infraestrutura, energia e transporte são entraves amplos. No Rio Grande do Sul, a reconstrução de áreas afetadas por desastres climáticos também compõe o cenário de implementação de tecnologias.

Barreiras e estratégias no RS

Entre as principais travas, ela cita a necessidade de internet das coisas em áreas rurais e a capacitação de trabalhadores mais velhos. O desafio é combinar avanços tecnológicos com inclusão social, evitando que decisões sejam tomadas apenas por algoritmos.

A secretária detalhou ações públicas de inclusão digital, como laboratórios em centros de juventude, cursos para minorias e programas de apoio a empreendedores em situação de vulnerabilidade, com foco em continuidade educacional.

Inclusão tecnológica e diversidade

Ela defende que a diversidade em cargos estratégicos ajuda a questionar softwares potencialmente discriminatórios. A ideia é promover formação de engenheiros, com bolsas e incentivos para permanência escolar, além de fomentar a governança corporativa com maior representatividade.

A executiva também citou iniciativas como o RS Talentos, o Professor do Amanhã e o Avança Mulher Empreendedora, voltadas a educação, capacitação técnica e autonomia financeira para mulheres atingidas por desastres ou violência.

Conclusões sobre o papel da tecnologia

Para Lemos, a tecnologia deve ir ao encontro das pessoas, com ações presenciais quando necessário. Ela reforçou a necessidade de traduzir jargões tecnológicos para quem não tem acesso a computadores, reforçando a ideia de que toda empresa será, no futuro, uma empresa de tecnologia.

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