- Dois grandes focos de crise hídrica nos EUA: Corpus Christi, no Texas, pode declarar emergência de seca nível 1 até setembro, com possível racionamento de água industrial.
- A crise na bacia do rio Colorado envolve sete estados e ameaça repor a água de cidades, agricultura e geração de energia através de usinas em Lake Powell e Lake Mead.
- Lake Mead está a 17 pés acima do nível recorde baixo, enquanto o fluxo do rio Colorado caiu em algumas áreas devido ao degelo precoce da neve.
- O uso industrial, especialmente em plantas petroquímicas, é o maior consumidor de água na região, impactando a disponibilidade para uso municipal.
- Autoridades de interior dos Estados Unidos anunciaram ações para manter a energia hidrelétrica, diante de cenários de seca prolongada e de El Niño previsto para trazer chuvas fortes na região.
O texto revisado aponta para duas crises hídricas de grande impacto nos EUA: a seca em Corpus Christi, no Texas, e a crise do Rio Colorado, que afeta sete estados da região, com consequências para milhões de pessoas. A temporada de verão promete ser marcada por medidas de manejo da água e disputas entre setores público e privado.
Em Corpus Christi, autoridades preveem que a cidade alcance um estágio de emergência hídrica nível 1 entre agosto e setembro, caso não haja chuva suficiente. A prefeitura já impôs restrições de uso para jardinagem e lavagem de carros, além de elevar as contas residenciais. O consumo industrial deverá cair 25% a partir de setembro para evitar desabastecimento.
No Rio Colorado, o fluxo de água caiu devido ao degelo precoce nas montanhas, atingindo fontes que abastecem 40 milhões de pessoas nos sete estados ribeirinhos. A energia gerada pelas barragens de Lake Powell e Lake Mead também é afetada, com níveis baixos que ameaçam a produção de eletricidade. O governo federal abriu ações emergenciais para manter a geração de hidrelétrica.
Especialistas afirmam que a crise reflete décadas de disputa sobre a distribuição de água entre os estados. O objetivo é renegociar um acordo histórico de 1922, já com atrasos em relação a prazos-chave. O que está em jogo é o equilíbrio entre uso agrícola e abastecimento urbano em uma região sensível às mudanças climáticas.
Para Corpus Christi, uma planta de dessalinização havia sido discutida como solução para abastecer a indústria, incluindo uma grande planta associada à Exxon, mas o projeto foi estimado em mais de 1 bilhão de dólares e recebeu resistência local por impactos ambientais. O estado já negou financiamento adicional para outra planta de dessalinização.
Especialistas ressaltam que a situação exige planejamento de longo prazo, com horizon de 20 anos, dado que o uso de água subterrânea é finito e as reservas superficiais são vulneráveis a secas. A expectativa é de que chuvas recentes e eventos como El Niño possam aliviar, ainda que pontual, a pressão hídrica.
Apesar do cenário, não há previsão de esgotamento municipal imediato nos EUA. Contudo, a combinação de seca persistente e demanda industrial eleva o risco de cortes mais amplos no abastecimento caso padrões climáticos não se normalizem no curto prazo. A cooperação entre estados permanece central para evitar rupturas.
Para além dos casos de Corpus Christi e do Rio Colorado, especialistas destacam a necessidade de gestão mais rígida da água, com redução de desperdícios e investimentos em infraestrutura, para enfrentar o avanço das mudanças climáticas. Autoridades públicas continuam monitorando sinais de mudança no comportamento das principais bacias.
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