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Como a ciência revela detalhes inéditos da vida das múmias

Tomografia descobre doenças e hábitos de múmias egípcias de dois mil anos atrás, gerando modelos 3D para museu e estudo médico

Ao analisar o interior das múmias com a tomografia, foi possível identificar traços de suas vidas antes secretos.
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  • Cientistas americanos usaram tomografia computadorizada em múmias para entender hábitos de vida e estados de saúde.
  • Nes-Min, sacerdote do ano 330 a.C., apresentava lombalgias; Nes-Hor, do ano 190 a.C., tinha problemas no quadril e dentes, o que dificultava andar sem ajuda.
  • A análise foi chamada de autópsia virtual e gerou imagens e figuras em 3D; prática ética usada para documentar sem destruir os corpos.
  • Os escaneamentos, feitos dentro dos sarcófagos, revelaram detalhes como cílios e lábios, além de indicar possível intervenção na coluna de Nes-Hor.
  • As peças 3D resultantes alimentam a exposição “Múmias do Mundo” e ajudam médicos a entender tratamentos antigos, com aplicação futura em cirurgias modernas.

A ciência abre uma janela inédita para a vida das múmias. Técnicas de tomografia computadorizada foram usadas por radiologistas da Universidade do Sul da Califórnia para examinar corpos mumificados, buscando entender hábitos de vida e condições de saúde de egípcios antigos.

Nes-Min, sacerdote de cerca de 330 a.C., apresentava problemas na coluna, com provável lombalgia. Nes-Hor, de aproximadamente 190 a.C., enfrentava deficiências graves no quadril e necessitaria de apoio para andar. Os achados ajudam a humanizar figuras históricas.

As múmias permaneceram em seus sarcófagos, envoltas por mortalhas de linho, pesando cerca de 90 quilos cada uma. O scanner revelou detalhes como cílios, lábios e sinais de saúde que não eram visíveis a olho nu, gerando dados sobre a vida e a expectativa de vida.

Entre as descobertas, Nes-Min apresentava uma lombar comprometida, associada a dor crônica. Já Nes-Hor tinha dentes comprometidos e quadril danificado, sugerindo limitações severas de locomoção e dor considerável.

Para a pesquisadora Summer Decker, a técnica representa uma autópsia virtual. Ela aponta que o método evita a necessidade de abrir o corpo, permitindo documentar sem destruir, especialmente em contextos históricos sensíveis.

As imagens em 3D geradas serão expostas na mostra Múmias do Mundo, no California Science Center, oferecendo aos visitantes uma visão tátil das estruturas. As peças permitem comparar anatomia antiga com diagnósticos modernos.

A análise detalhada também aponta indícios de intervenção médica antiga, como furos na região da coluna associados a cicatrizações. Pesquisas sugerem que técnicas de alívio de pressão cerebral já eram exploradas há mais de dois mil anos.

A equipe utilizou impressões 3D de ossos e elementos anatômicos para educação médica. De acordo com a pesquisadora, as réplicas ajudam estudantes a reconhecer padrões e a relacionar a anatomia com a história pessoal dessas pessoas.

As tecnologias de visualização da USC transformam tomografias em modelos físicos. A coleção de imagens permite medir estruturas com precisão, apoiar diagnósticos modernos e ampliar o entendimento sobre saúde na antiguidade.

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