- Estudo publicado na Nature Health, em 2026, liderado por Jorge Honles, associa exposição a pesticidas agrícolas a um aumento de até 150% no risco de câncer em determinadas regiões.
- A pesquisa analisou condições reais de exposição, incluindo misturas de até 31 pesticidas, com dados de mais de 150 mil casos de câncer.
- Mapas de exposição mostraram que regiões com maior presença de pesticidas apresentaram mais casos de câncer.
- Pesquisas do Instituto Pasteur indicam que pesticidas podem interferir na função celular e aumentar a vulnerabilidade a inflamações, com o fígado entre os órgãos mais impactados.
- Populações rurais e grupos mais vulneráveis enfrentam maior exposição, às vezes a 12 substâncias ao mesmo tempo, e fatores como mudanças climáticas podem intensificar a dispersão dos químicos.
A exposição a pesticidas agrícolas tem relação com um aumento relevante no risco de câncer, segundo estudo publicado na revista Nature Health em 2026. A pesquisa, liderada por Jorge Honles, analisou condições reais de contato com químicos no ambiente.
Entre os achados, regiões com maior presença de pesticidas registraram incremento no risco de câncer de até 150%. Foram avaliados 31 pesticidas amplamente usados, com dados de mais de 150 mil casos ao longo de anos.
A investigação destacou que a exposição não ocorre isolatedamente, mas por misturas complexas de substâncias. O estudo analisou o efeito de combinações em condições reais, não apenas de agentes isolados.
Detalhes do estudo
A análise utilizou dados ambientais e registros de saúde para mapear exposição. Os mapas mostraram correlação entre altas concentrações de pesticidas e maior incidência de câncer em determinadas áreas.
Mesmo substâncias não classificadas como cancerígenas de forma isolada podem ter impacto quando combinadas. O estudo enfatiza a importância de avaliar riscos de exposições combinadas.
Pesquisas do Instituto Pasteur indicaram que pesticidas podem interferir em processos celulares essenciais, afetando função celular, inflamação e sensibilidade a fatores de risco.
O fígado, órgão chave no processamento de toxinas, aparece entre os mais afetados, segundo as mudanças observadas nas vias metabólicas associadas aos pesticidas.
Desdobramentos e populações mais vulneráveis
Comunidades rurais apresentam maior exposição, com convivência coordenada por diversas substâncias ao mesmo tempo. Em alguns casos, até 12 pesticidas foram observados simultaneamente.
Fatores ambientais, como mudanças climáticas, podem intensificar a dispersão dos químicos, elevando a probabilidade de exposição em determinadas regiões.
As descobertas sugerem que modelos de risco precisam considerar a exposição combinada, condições reais do ambiente e diferenças populacionais para fundamentar políticas públicas.
Embora o estudo tenha sido conduzido no Peru, suas implicações são globais, já que a exposição a pesticidas é uma realidade em várias regiões agrícolas.
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