- Trevor Paglen lança o livro How to See Like a Machine: Images After AI, defendendo que há um novo paradigma, a “realidade das máquinas”, que vai além do olhar humano tradicional.
- Ele afirma que as imagens hoje são criadas por máquinas para outras máquinas, com o objetivo de moldar a realidade, não apenas representar.
- O conceito de “machine realism” envolve usos de visão computacional e IA generativa, que ampliam o papel das imagens na vigilância e no controle de dados e comportamentos.
- O livro revisita trabalhos anteriores, como ImageNet Roulette, e reúne ensaios sobre guerra cognitiva, psyops, UFOs, tecnologia e mídia, conectando teoria e prática artística.
- Paglen também apresenta obras e exposições, destacando imagens de objetos não identificados e satélites militares, para ilustrar como a percepção humana é influenciada pela maquinaria e pelos sistemas de vigilância.
Trevor Paglen lança um livro que analisa como a IA generativa já altera a forma como as imagens funcionam na cultura. O título é How to See Like a Machine: Images After AI, e a obra reúne reflexões produzidas ao longo de sua prática artística. O foco é explicar por que a visão humana precisa se atualizar.
O livro contrapõe o modelo semiótico tradicional, centrado no humano, a um novo referencial operacional. Nele, imagens são geradas por máquinas para outras máquinas e visam moldar a realidade, não apenas representá-la. A leitura desloca a pergunta de o que a imagem diz para o que a imagem faz.
Paglen compara evoluções recentes com ideias de teóricos como Flusser e Virílio, além de artistas como Farocki e Steyerl. O autor destaca que, na última década, ocorreram duas rupturas: visão computacional e IA generativa, que passam a manipular nossa relação com a realidade.
Realismo de máquina
O conceito de machine realism descreve imagens que operam em escala e função diferentes, incluindo sistemas de vigilância que analisam dados de consumidores e motoristas. Tais imagens são usadas para extrair valor e ampliar o monitoramento, muitas vezes sem intervenção humana contínua.
A obra oferece exemplos: câmeras de lojinha, plataformas de redes sociais que medem tempo de tela e respostas biométricas para refinar algoritmos de segmentação. O texto afirma que esse tipo de imagem alavanca o monitoramento de massa com maior precisão.
Arquivos do futuro
O livro revisita projetos anteriores de Paglen, como ImageNet Roulette, que expõe vieses da rotulagem de imagens. A obra mais extensa reúne capítulos sobre psyops, guerras cognitivas e fenômenos de percepção que influenciam o ambiente midiático atual.
Paglen sustenta que operações clandestinas do passado moldam práticas de cultura de rede. Ele aponta que psyops modernos são baratos, automáticos e com retorno em tempo real, com máquinas ajustando percepções sem mediação humana constante.
Impacto e contexto
A publicação defende que, após a IA, todas as imagens adquirem status quase indexical, similar ao de fotos de UFO. O leitor entra em uma era em que sinais de verdade persistem, mas vínculos causais se dissolvem, deixando a interpretação dependente de crenças prévias.
Segundo o autor, essa ambiguidade transforma como consumimos provas visuais, aproximando-se do conceito de superposição na física quântica. A obra contextualiza ainda o que chama de arquitetura de ócio criativo e de manipulação mediática na era neural.
Trevor Paglen utiliza a própria produção artística para ilustrar suas teses, com obras que exibem objetos não identificados e satélites militares. A publicação sustenta que a arte, junto com a pesquisa, ajuda a entender o monitoramento e a agência humana diante das máquinas.
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