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Quatro pássaros venenosos são identificados

Da mitologia à ciência, aves armazenam toxinas de presas; consumo humano pode causar intoxicação, variando pela dieta

Fotografia do pássaro Codorniz-comum.
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  • A lenda chinesa do Zhenniao descreve um pássaro venenoso que armazenava veneno de víboras; a existência real é incerta.
  • Em 1992, a revista Science revelou a primeira ave cujas penas e pele abrigam veneno, capaz de intoxicar humanos; desde então, surgiram apenas algumas espécies identificadas.
  • O Pitohui, da Nova Guiné, foi a primeira ave tóxica identificada pela ciência; o veneno está na pele, penas e tecidos, possivelmente vindo de besouros do gênero Choresine.
  • O Ifrita, também da Nova Guiné, possui batracotoxina nas penas; é exemplo de evolução convergente com o Pitohui; ambas são resistentes ao veneno por mutação no gene SCN4A.
  • A codorna-comum pode ser tóxica dependendo da dieta, causando coturnismo ao ser consumida; o Pato-ferrão africano também acumula cantaridina ao comer besouros, com riscos de saúde.

Ao longo da biologia, aves com venenos naturais aparecem como exceções que intrigam cientistas e curiosos. A ideia de um pássaro venenoso ganhou força após a identificação de espécies cuja pele, penas ou carne acumulam toxinas, sem que o animal as produza ativamente.

A história começa na mitologia chinesa com o Zhenniao, um pássaro mítico descrito como venenoso por armazenar peçonha de víboras. Em 1992, a ciência confirmou que há aves que adquirem toxinas de presas ou alimentos, funcionando como defesa. A confirmação abriu portas para novas espécies.

O veneno nas aves não é injetado; ele atua por contato ou ingestão, funcionando como proteção contra predadores e parasitas. A toxicidade varia entre espécies e depende da dieta. A seguir, as quatro aves associadas a esse fenômeno.

Pitohui

Nativo da Nova Guiné, o Pitohui foi a primeira ave tóxica identificada pela ciência. A pele, penas e tecidos contêm batracotoxina, neurotoxina potente. Pesquisas sugerem origem na alimentação com besouros do gênero Choresine, que concentram a substância.

O veneno pode irritar a pele ao toque e intoxicar se ingerido. O Pitohui pertence a um gênero com várias espécies, todas com algum grau de toxina. O Pitohui-de-capuz é considerado o mais tóxico.

Ifrita

O Ifrita, também da Nova Guiné, apresenta batracotoxina em penas e tecidos. Embora não seja parente próximo do Pitohui, o Ifrita desenvolveu toxinas de forma independente, um exemplo de evolução convergente.

Cientistas associam a toxina aos besouros do gênero Choresine. Mutação no gene SCN4A confere resistência ao veneno às aves, permitindo que convivam com a própria toxina.

Codorna-comum

A codorna-comum (Coturnix coturnix) é encontrada na Europa e Ásia Ocidental. Enquanto a codorna japonesa criada para produção de ovos não é venenosa, a espécie comum pode apresentar toxicidade alimentar, dependendo da dieta.

Casos de coturnismo, intoxicação pela carne, aparecem ao longo da história, incluindo relatos antigos. A toxicidade varia conforme a alimentação das aves.

Pato-ferrão

O pato-ferrão (Plectropterus gambensis) africano nem sempre é tóxico. Populações que consomem besouros Meloidae acumulam cantaridina, veneno potente nas carcaças. Em humanos, a ingestão pode provocar problemas de saúde, mas não há registros de óbitos vinculados a esse pato.

A cantaridina é a toxina associada; casos de intoxicação ocorrem quando pessoas consomem os besouros ou carne contaminada. Em patos, a toxicidade depende da dieta regional.

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