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Canetas emagrecedoras não funcionam para algumas pessoas

Resposta desigual a fármacos antiobesidade eleva custos e exige ajuste de dose, acompanhamento médico e estratégias para manter a perda de peso

Fotografia de uma mulher aplicando caneta emagrecedora.
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  • A quebra da patente da semaglutida elevou o interesse por canetas antiobesidade, mas a resposta ao tratamento não é igual para todos.
  • Em estudos, cerca de 9,1% a 14% dos participantes não atingem a meta de perda de peso nos primeiros meses, variando conforme a dose e o fármaco.
  • Fatores como diabetes, peso inicial, idade, função renal e componentes genéticos ajudam a explicar a diferença na eficácia entre pacientes.
  • A dose precisa ser ajustada gradualmente e o acompanhamento médico é essencial para reduzir efeitos colaterais e sustentar a perda de peso.
  • Governos ajustam critérios de uso por custo-benefício; Brasil rejeitou incorporação no SUS em 2025, mas há piloto de Wegovy em três centros do SUS no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro em 2026 para coletar dados.

A quebra de patente da semaglutida aumentou a busca por opções mais acessíveis de canetas antiobesidade, como Ozempic e Wegovy. Entretanto, os efeitos na perda de peso não são uniformes: cerca de 10% a 14% dos pacientes não atingem o peso esperado nos primeiros meses de uso.

Os dados variam conforme o estudo. No ensaio STEP 1, aproximadamente 14% não perderam ao menos 5% do peso. No SURMOUNT-1, a taxa de não resposta ficou em 9,1% na dose alta, com variações entre 5 mg e 10 mg. A resposta depende de dose, tolerância e ajuste clínico, não de uma regra fixa.

A explicação da não resposta envolve fatores biológicos, clínicos e comportamentais. Pacientes com diabetes tendem a apresentar pior perda de peso, possivelmente pela resistência à insulina. Outros fatores incluem peso inicial, idade, duração do diabetes e função renal.

A dose também influencia o resultado. Estudos mostram que doses maiores tendem a promover maior redução de peso, mas aumentam a probabilidade de efeitos colaterais, o que pode levar à interrupção do tratamento. Ajustes graduais são comuns para melhorar tolerância.

A farmacocinética indica que a concentração da droga no sangue é determinante para a resposta clínica, independentemente da via de administração. Pesquisas associam menor exposição ao medicamento a maior peso corporal, ajudando a explicar variações individuais.

Outros medicamentos que favorecem ganho de peso podem reduzir a eficácia das terapias. Diretrizes recomendam revisar fármacos como insulina, antidepressivos e alguns anticonvulsivantes, substituindo-os quando possível por opções neutras ou que auxiliem a perda.

Há evidências genéticas de influência na eficácia e nos efeitos colaterais. Pesquisa recente associou variantes do gene receptor de GLP-1 a maior resposta e a maior incidência de náusea com certas drogas, abrindo caminho para abordagens personalizadas no futuro.

Quando a resposta é insatisfatória, o primeiro passo é revisar a dose e a continuidade do tratamento. Também é importante avaliar dieta, sono, estresse e comorbidades, para entender fatores que atrapalham a perda de peso.

Caso persista a inadequação, podem ser adotadas mudanças de estilo de vida, ajuste de dose ou troca de medicamento. A prática clínica sustenta que a decisão deve ocorrer com acompanhamento médico, sem interrupções abruptas.

O custo elevado dessas terapias também impacta a decisão de financiamento. Em alguns países, como Reino Unido e Canadá, há critérios clínicos rígidos para indicação e uso, com monitoramento multidisciplinar. No Brasil, o tema segue em debate no SUS.

Em 2026, a Novo Nordisk anunciou programa piloto no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro para oferecer Wegovy na rede pública. O objetivo é gerar dados sobre impacto clínico, social e econômico, especialmente em populações vulneráveis.

O fenômeno da variação de resposta permanece, segundo especialistas, uma realidade tanto no setor público quanto no privado. A manutenção de acompanhamento médico é essencial para sustentar a perda de peso a longo prazo.

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