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Latas de salmão vencidas há 40 anos guardavam vermes e segredos do Alasca

Latas de salmão vencidas desde 1979 viraram arquivo científico: 178 latas mostram décadas de dados sobre parasitas no Alasca, indicando ecossistema saudável

As latas vieram da Seafood Products Association de Seattle, associação do setor pesqueiro que as havia guardado para fins de controle de qualidade e não tinha mais uso para elas
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  • Latas de salmão vencidas desde 1979 foram mantidas pela Seafood Products Association de Seattle e viram um arquivo científico de quarenta e dois anos dos mares do Alasca, segundo a pesquisadora Natalie Mastick.
  • O estudo analisou cento setenta e oito latas de quatro espécies de salmão capturadas no Golfo do Alasca e na Baía de Bristol.
  • Com dissecção, os pesquisadores contaram nematódeos da família Anisakidae, vermes de cerca de um centímetro; o aquecimento das latas eliminou os parasitas, mas estruturas permanecem reconhecíveis para contagem.
  • Os resultados mostraram a densidade de parasitas por grama de peixe e permitiram comparar décadas de dados a partir dessas latas, abrindo a possibilidade de usar acervos industriais como arquivo temporal.
  • A presença dos parasitas indica que todos os elos da cadeia alimentar estão ativos, sugerindo ecossistema saudável; a pesquisa aponta para ampliar esse tipo de amostra a outras indústrias pesqueiras e oceanos.

Latas de salmão vencidas há 40 anos guardavam segredos do oceano do Alasca, segundo pesquisa em Seattle. Amostras armazenadas desde 1979 foram abertas por uma equipe liderada por Natalie Mastick, hoje no Museu Peabody de Yale, em 178 unidades de quatro espécies.

As latas vieram da Seafood Products Association de Seattle, criada para controle de qualidade e que não tinha mais uso para os itens. A investigação examinou pescado capturado no Golfo do Alasca e na Baía de Bristol, entre 1979 e 2021.

Arquivo científico a partir de latas de qualidade

Usando pinças e microscópio, pesquisadores contaram nematódeos da família Anisakidae, vermes de 1 cm que persistiram mesmo após o tratamento térmico. Os dados permitem calcular a densidade de parasitas por grama de peixe.

Os resultados foram publicados no periódico Ecology and Evolution e destacados pela Universidade de Washington. O estudo demonstra que é possível comparar décadas inteiras a partir de latas consideradas inúteis para consumo.

Espécies e padrões ao longo do tempo

As quatro espécies de salmão apresentaram padrões diferentes. Salmão rosa e salmão chum mostraram aumento na densidade de parasitas, sugerindo ecossistema estável ou em recuperação. Salmão coho e sockeye permaneceram estáveis.

O estudo também reforça que anisakídeos indicam a cadeia alimentar completa, não apenas contaminação. A presença dos vermes sugere que o ecossistema marinho ainda conserva conectividade entre krill, peixes e mamíferos marinhos.

Implicações para monitoramento oceânico

O trabalho aponta que estoques industriais de alimentos processados podem servir como arquivos temporais de alta resolução para mudanças ecológicas, especialmente onde há carência de dados de campo. Pesquisas futuras podem ampliar a análise para outras regiões e espécies.

Pesquisadores ressaltam a necessidade de ampliar parcerias com indústrias pesqueiras para ampliar esse tipo de evidência, conforme destacam veículos de divulgação científica. A descoberta oferece potencial para compreender a recuperação de mamíferos marinhos e a saúde dos oceanos.

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