- A usina Zaporizhzhia, a maior da Europa, ficou completamente sem energia externa pelo menos duas vezes em abril; geradores a diesel de emergência foram acionados para manter funções de segurança.
- Enquanto isso, tensões no Irã colocam instalações nucleares sob risco regional, alimentando debates sobre a possibilidade de conflito, mas sem comparação direta com Chernobyl.
- Chernobyl, em mil novecentos e oitenta e seis, teve reator RBMK com coeficiente de vazio positivo e falhas de projeto; já Zaporizhzhia opera com reatores VVER-1000 de água pressurizada, com coeficiente de vazio negativo, projetados para autoestabilizar.
- O RBMK permitia reabastecimento em operação e tinha menor resistência estrutural, o que contribuiu para o acidente de Chernobyl; os reatores VVER possuem contenção mais robusta e redundâncias de resfriamento.
- Especialistas ressaltam que o risco de um desastre tão grande quanto Chernobyl é muito menor hoje, especialmente em Zaporizhzhia ou em Irã, mas destacam que conflitos prolongados reduzem redundâncias e elevam o risco de incidentes graves.
Até o momento, a maior usina nuclear da Europa, Zaporizhzhia, no território ucraniano, vive dias de tensão diante de combates entre Rússia e Ucrânia. AIEA informou que a usina ficou sem energia externa pela décima terceira vez desde o início do conflito, e acionou geradores de emergência para manter funções de segurança.
A gravidade do tema não se restringe a Zaporizhzhia. No Irã, instalações nucleares também estão sob pressão internacional, com riscos destacados por EUA e Israel de uma escalada militar. Essas situações reacendem o debate sobre a possibilidade de um novo desastre nuclear.
Para entender os riscos, é preciso comparar os projetos dos reatores. Enquanto Chernobyl operava com RBMK, Zaporizhzhia usa VVER-1000, ambos desenvolvidos no mesmo período, mas com diferenças técnicas cruciais.
Os reatores RBMK, usados originalmente em Chernobyl, tinham coeficiente de vazio positivo, o que aumenta a reatividade em certas condições. Já o modelo VVER, utilizado em Zaporizhzhia, tem coeficiente de vazio negativo, o que tende a estabilizar a operação.
A União Soviética optou pelos RBMK por custo menor e pela possibilidade de reabastecer em operação. Esse desenho permitia remover plutônio sem parar o reator, o que não ocorre nos VVER. Essa diferença histórica contribuiu para o risco observado em Chernobyl.
O teste de segurança que precedeu o acidente de Chernobyl foi mal planejado. Em 1986, a equipe reduziu a potência do reator 4 de forma desordenada, levando ao envenenamento da reatividade e a explosões de vapor. O incidente se destacou pela falta de contenção robusta.
A explosão inicial que atingiu o teto da usina provocou liberação de material radioativo. Evidências apontam que uma segunda explosão pode ter sido causada pela combustão de hidrogênio. Milhares de bombeiros foram expostos ao risco.
Em Chernobyl, a zona de exclusão foi criada para evitar novas exposições. Milhares de pessoas deixaram suas casas, formando uma área de proteção que, até hoje, concentra parte da população exposta à radiação. O Sarcófago original foi substituído por estruturas mais modernas.
Zaporizhzhia, com reatores VVER, é diferente do cenário de Fukushima, em 2011, segundo especialistas. Em caso de grave acidente, a contenção tende a limitar a liberação de material radioativo, embora as redundâncias operacionais possam ser afetadas por conflitos.
A avaliação da AIEA é de que o risco sistêmico aumenta em contextos de guerra, quando redundâncias críticas de segurança podem ficar comprometidas. Em Irã, o alerta é semelhante: um ataque poderia liberar radioatividade local, sem replicar o desastre de Chernobyl.
Em resumo, especialistas destacam que não é possível prever com exatidão um novo desastre nuclear, mas afirmam que diferenças de projeto e o contexto de conflito reduzem, em média, a probabilidade de repetição de Chernobyl. A vigência de mecanismos de proteção e resposta continua sendo essencial.
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