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Cometa interestelar 3I/ATLAS é cápsula do tempo da Via Láctea

3I/ATLAS revela formação em ambiente frio de disco protoplanetário externo; alta água deuterada indica origem antiga e condições diferentes das do Sistema Solar

NASA’s Hubble Space Telescope observed interstellar comet 3I/ATLAS on November 30
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  • O cometa interestelar 3I/ATLAS cruzou o Sistema Solar em julho e se originou em um ambiente muito diferente do nosso, segundo estudo publicado na Nature Astronomy.
  • Observações com o radiotelescópio ALMA, no Chile, detectaram água deuterada (HDO) no cometa, mas não água comum (H2O).
  • A abundância de deutério na água do 3I/ATLAS é mais de quarenta vezes maior que nos oceanos da Terra e mais de trinta vezes maior que em cometas do Sistema Solar.
  • Os dados sugerem que o cometa se formou em temperaturas abaixo de trinta Kelvin, em regiões externas de um disco protoplanetário, há mais de dez bilhões de anos.
  • A pesquisa reforça a ideia de que objetos interestelares são cápsulas do tempo que ajudam a entender a Via Láctea antiga e as condições de formação de outros sistemas planetários.

O cometa interestelar 3I/ATLAS, visto cruzar o sistema solar em julho, pode ter se formado há até 11 bilhões de anos. Observações com radiotelescópios revelam detalhes de sua origem e das condições de formação de outros sistemas planetários e da Via Láctea primitiva.

A equipe测 utilizando o ALMA, no Chile, estudou o objeto logo após ele passar pelo Sol, a cerca de 203 milhões de quilômetros de distância. A pesquisa, publicada na Nature Astronomy, aponta que 3I/ATLAS provém de um ambiente muito diferente do nosso sistema solar.

As medições com o ALMA identificaram pela primeira vez deutério na água de um objeto interestelar. A abundância de deutério na água do cometa é mais de 40 vezes maior que a dos oceanos da Terra e mais de 30 vezes maior que a de cometas do Sistema Solar.

Um objeto antigo e incomum

Nessa leitura, a água deuterada é formada com maior peso molecular, devido ao nêutron nos átomos de hidrogênio. A presença de deutério sugere formação da água em nuvens frias do espaço interestelar, associada ao nascimento de sistemas ao redor de outras estrelas.

Os cientistas estimam que o ambiente de formação de 3I/ATLAS tinha temperatura inferior a 30 Kelvin, muito frio em comparação ao sistema solar. Estima-se que o cometa se formou no disco protoplanetário externo da estrela hospedeira.

A hipótese é de que 3I/ATLAS manteve boa parte de sua água deuterada ao longo de bilhões de anos, ao passar por regiões mais frias do disco onde se formou. Observações indicam também alta abundância de dióxido de carbono no objeto.

Um olhar histórico sobre a Via Láctea

O uso do ALMA foi fundamental para detectar sinais de baixa energia, que não seriam visíveis em telescópios ópticos. O estudo ocorreu pouco depois da aproximação máxima do cometa, que permitiu a liberação de gás devido ao aquecimento solar.

Os investigadores não detectaram água comum no objeto, mas encontraram água deuterada. A equipe comenta que isso não significa ausência de água, apenas que a sensibilidade do experimento não a captou com a subtileza desejada.

Determinar a origem exata de 3I/ATLAS é improvável, mas o cometa pode oferecer pistas sobre o passado da galáxia. Pesquisas futuras com Rubin e outros observatórios devem ampliar o conjunto de objetos interestelares estudados.

As descobertas reforçam a ideia de que cometas interestelares atuam como cápsulas do tempo, revelando condições físicas de ambientes estelares distantes. Essa leitura ajuda a entender a diversidade de discos protoplanetários existentes no cosmos.

Dr. Theodore Kareta, embora não tenha participado do estudo, comenta que esses corpos ajudam a entender como a Via Láctea mudou ao longo do tempo. A comunidade científica continua a ampliar a coleta de cometas interestelares para confirmar padrões de formação galáctica.

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