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Estudo investiga por que ficamos irritados quando temos fome

Estudo revela que o humor ligado à fome depende da percepção consciente, não apenas da glicose; maior interocepção reduz oscilações emocionais

Pesquisa mostra que, ao contrário do que se pensava, a queda da glicose não dita o humor e a fome de forma automática
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  • Estudo publicado em fevereiro na The Lancet eBioMedicine mostra que a irritação associada à fome é mediada pela percepção de que se está com fome, e não apenas pela queda de glicose.
  • Em adultos, a glicose influencia o humor indiretamente, sendo o sentimento de fome quem desempenha o papel central na mudança emocional. Sem perceber a fome, a queda de glicose tem pouco impacto no humor.
  • O trabalho destaca a interocepção — a capacidade de o cérebro sentir sinais do próprio corpo — como fator central: quem percebe melhor o corpo tende a apresentar menor oscilação emocional.
  • Indivíduos com obesidade costumam ter precisão interoceptiva reduzida, o que dificulta identificar sinais de fome; fatores metabólicos, como gordura visceral, também afetam a regulação do apetite.
  • Para evitar irritação ao sentir fome, recomenda-se combinar carboidratos com proteínas/fibras/gorduras de qualidade, apostar em fontes proteicas, identificar sinais de fome antes do estômago roncar e usar práticas como diário alimentar e atenção plena durante as refeições.

A irritabilidade durante a fome, conhecida como hangry, tem explicação científica mais complexa do que se imaginava. Em estudo divulgado em fevereiro pela revista The Lancet eBioMedicine, pesquisadores mostram que a queda de glicose influencia o humor apenas quando a pessoa está consciente de estar com fome.

A investigação examinou se variações de humor decorrem diretamente dos níveis de glicose ou da percepção desse estado. Os resultados apontam que a glicose afeta as emoções de forma indireta, com a fome atuando como mediadora. Sem perceber a fome, a queda da glicemia tem pouco impacto no humor.

Consciência corporal

O estudo introduz o conceito de interocepção, a capacidade de sentir sinais internos do corpo. Pessoas com maior precisão nessa percepção mostram menor oscilação emocional, atuando como mecanismo de regulação. O contato com o próprio corpo ajuda a associar o mal-estar à fome.

O neurocientista Nils Kroemer, correspondente do estudo, afirma que reconhecer a fome como sinal metabólico facilita o manejo emocional. A prática clínica já observava essa relação entre fome, humor e regulação emocional, segundo avaliação de especialistas.

Influência de condições de saúde

A pesquisa também indica que indivíduos com IMC mais alto costumam ter menor precisão interoceptiva. O excesso de gordura visceral pode inflamar circuits cerebrais ligados ao apetite, reduzindo a leitura de sinais internos.

O nutrólogo Diogo Toledo explica que essa desconexão é reversível com abordagem integrada, não apenas dietética. A associação entre estado metabólico e humor é mais evidente em mulheres, possivelmente por variações hormonais ao longo do ciclo.

Controle sua fome

Para evitar irritação associada à fome, recomenda-se manter glicemia estável com alimentação balanceada. Combine carboidratos com proteína, fibra e boas gorduras, e inclua fontes proteicas em refeições regulares.

Sinais de fome começam antes do estômago roncar, como cansaço, dificuldade de concentração e irritação súbita. Técnicas simples, como registrar o estado emocional antes de comer e mastigar devagar, ajudam o cérebro a interpretar melhor o sinal metabólico.

Estratégias adicionais incluem usar fibras, como aveia e chia, além de gorduras boas como abacate e azeite, para retardar a absorção de açúcar e prolongar a saciedade. Texto de Ana Andrade, Agência Einstein.

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