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Ouvir uma floresta pode indicar se ela está ecologicamente saudável

Análise sonora de florestas na Costa Rica aponta que recuperação via pagamento por serviços ecossistêmicos (PES) se aproxima de florestas protegidas, com incertezas persistem

a forest in Costa Rica
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  • Pesquisadores usam som para avaliar ecossistemas; estudo na Costa Rica analisa o programa de pagamento por serviços ambientais (PES) com método acústico.
  • Foram instalados gravadores em 119 locais na península de Nicoya, coletando mais de 16.000 horas de áudio de diferentes paisagens.
  • O PES, lançado em 1997, compensa proprietários por manter cobertura florestal; dados de satélite mostram recuperação de cobertura, mas não de função ecológica.
  • Sons de insetos, aves e anfíbios formam paisagens sonoras que variam ao longo do dia; florestas mais ativas tendem a ter picos ao amanhecer e ao entardecer, pastagens não.
  • Resultados indicam que florestas naturais regeneradas sob PES se aproximam de florestas protegidas, enquanto plantações mostram sinais de recuperação; a metodologia tem limitações, mas oferece medida mais direta da condição ecológica do que apenas a cobertura de dossel.

Um estudo recente utiliza sons de florestas para avaliar a saúde ecológica na Costa Rica. Pesquisadores da ETH Zürich testaram a ideia em 119 pontos na Península de Nicoya, com o objetivo de entender se a composição sonora pode indicar funcionamento de habitats, além da cobertura de árvores.

Giacomo Delgado, pesquisador em doutorado, compara a técnica ao uso de um estetoscópio por médicos. Com experiência, é possível distinguir padrões sonoros que sinalizam ecossistemas mais e menos saudáveis. A abordagem busca ir além de métricas como área de floresta.

Os pesquisadores coletaram mais de 16 mil horas de áudio em diferentes tipos de paisagens: florestas protegidas, áreas em regeneração sob o programa de pagamento por serviços ambientais PES, plantações de monocultura e pastagens ativas. O PES Costa Rica, lançado em 1997, remunera proprietários por manter cobertura florestal.

Observações de campo revelam padrões diurnos de atividade sonora: florestas saudáveis costumam apresentar picos no amanhecer e no entardecer, em contraste com pastagens, que exibem menos variação. Esses sinais ajudam a diferenciar estados de recuperação entre habitats.

Resultados preliminares indicam que florestas naturalmente regeneradas sob o PES se aproximam mais das florestas protegidas do que de áreas degradadas. Em plantações, sinais de recuperação aparecem, porém de forma menos consistente.

A metodologia, no entanto, não responde a todas as perguntas. Não determina o que ocorreria na ausência de incentivos financeiros. Ainda assim, oferece uma medida mais direta do estado ecológico do que apenas a cobertura de copa das árvores.

Os pesquisadores já expandem a análise para outras áreas do país. O estudo reforça a ideia de que o som do ambiente pode complementar dados visuais na avaliação de biodiversidade, interações ecológicas e função de habitats.

Metodologia sonora e resultados

A equipe utiliza gravações para comparar padrões entre diferentes tipos de ecossistemas e monitorar mudanças ao longo do tempo, com potencial para informar políticas de conservação e manejo de paisagens.

Limites e próximos passos

Especialistas destacam que o método não substitui métricas tradicionais, mas pode complementar indicadores de saúde ecológica. A continuidade da pesquisa depende de mais dados e de validação em larga escala.

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