- A Solinftec anunciou nos EUA o modelo de venda “freedom per acre” para levar robôs agrícolas direto ao produtor, com demonstração em campo durante uma semana.
- A iniciativa foi apresentada durante a Southeastern Specialty Crop Technology Conference and Show, em Tifton, Geórgia, como parte de um piloto com dez produtores no Corn Belt (Indiana, Iowa e Illinois).
- O piloto envolve uma equipe de dois profissionais que instala um robô da Solinftec na propriedade e transforma as ações em dados de produtividade e custo em tempo real.
- Atualmente, a Solinftec opera cerca de 150 robôs nos Estados Unidos (aproximadamente 40 mil hectares) e 100 no Brasil, com foco de expansão na robótica no mercado americano.
- O modelo será levado ao Brasil no segundo semestre de 2026, iniciando pela cana-de-açúcar, com cinco usinas, e seguirá para grãos em 2027.
A Solinftec, agtech brasileira, anunciou nos Estados Unidos a implementação do programa Freedom Per Acre, uma nova forma de comercializar tecnologia agrícola. A ideia nasce de três anos de operação com o robô Solix no campo norte-americano para entender como produtores adotam inovações. O objetivo é transformar a decisão de compra por meio de experiências diretas na lavoura, e não apenas por argumentos comerciais.
O lançamento ocorreu durante o Southeastern Specialty Crop Technology Conference and Show, em Tifton, na Geórgia. O evento reúne produtores, pesquisadores e empresas de agrotech no Sudeste dos EUA, com demonstrações de IA em pulverizadores, robótica de colheita, drones para detecção de plantas daninhas e ferramentas digitais. A Solinftec participou como patrocinadora, ao lado de Deere, Carbon Robotics, Verdant Robotics e Ecorobotix.
O modelo Freedom Per Acre prevê que uma equipe de dois profissionais visite uma propriedade, instale um robô Solix e fique uma semana no local. Durante esse período, os dados gerados pela máquina são usados para medir produtividade, redução de custos e demais impactos, ajudando o produtor a experimentar o equipamento na prática.
Segundo a empresa, a avaliação se dá pela experiência direta no campo, com decisões de aquisição condicionadas pelo que for vivido na lavoura. A diferença em relação a modelos tradicionais está na aproximação da tecnologia ao produtor, sem depender exclusivamente de demonstrações em feiras ou revendas.
Dez produtores em três estados do Corn Belt americano – Indiana, Iowa e Illinois – foram mapeados para receber a experiência em 2026, com nomes ainda não divulgados. O critério considerou perfil tecnológico e influência regional, para facilitar a disseminação do modelo. Em Indiana, um produtor de porte médio serve como referência regional.
Hoje, a Solinftec opera cerca de 150 robôs nos Estados Unidos e 100 no Brasil. Carvalho estima que esses robôs americanos cubram aproximadamente 40 mil hectares. Enquanto no Brasil o foco é cana-de-açúcar, grãos e culturas perenes, no Norte Americano a expansão da robótica é a prioridade.
A escolha pelo EUA se justifica pelo cenário de produtividade estagnada, subsídios e escassez de mão de obra. Além disso, a cadeia de distribuição depende fortemente de dealers e cooperativas, o que cria barreiras entre a tecnologia e o usuário final. O objetivo é reduzir camadas de intermediação e aproximar o produtor da máquina.
Carvalho compara o modelo ao Uber, argumentando que a tecnologia precisa levar o produto ao produtor sem dependência de intermediários. Em vez de vender apenas pelo canal tradicional, a Solinftec pretende comprovar resultados com uso real em campo, destacando que robôs operam em ciclos de cinco dias na mesma área para monitorar variações da lavoura.
A projeção para o Brasil é adaptar o Freedom Per Acre a partir do segundo semestre de 2026, iniciando pela cana-de-açúcar com cinco usinas. A empresa planeja, em 2027, expandir para culturas de grãos com dinâmica similar à testada nos EUA, desde que haja validação econômica de cada caso.
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