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Estudo mapeia rotas de barco romano afundado há 2.200 anos

Análise de revestimentos do barco romano afundado há 2.200 anos identifica rotas no Adriático e em Brindisi, evidenciando técnicas de impermeabilização e reparo

Estudo revela as rotas de um barco romano afundado há 2.200 anos
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  • Estudo analisou o casco do barco romano Ilovik–Paržine 1, afundado há cerca de 2.200 anos na costa da Croácia, revelando como os romanos impermeabilizavam navios.
  • Pesquisadores identificaram revestimentos de piche e cera de abelha, com pólen preso nas camadas, indicando locais de construção e manutenção.
  • A researchers liderada por Armelle Charrié, da Universidade de Estrasburgo, combinou análise molecular dos componentes com estudo de grãos de pólen.
  • O pólen revelou vegetação do Mediterrâneo e da costa Adriática; pedras de lastro apontaram Brundisium (Brindisi, Itália) como origem da construção, com manutenção ocorrendo na mesma região.
  • A combinação de técnicas químicas e paleopaleobotânicas sugere que camadas distintas registram reparos ao longo das viagens, destacando o uso da zopissa (piche mais cera) para elasticidade e aplicação a quente.

O estudo revela as rotas de um barco romano afundado há 2.200 anos, localizado na costa da Croácia. A pesquisa analisa os revestimentos do Ilovik–Paržine 1 para entender como os marinheiros da República Romana mantinham embarcações em condições de navegar longe de casa. O pólen preso nas camadas aponta os locais de construção e reparo.

Uma equipe liderada pela pesquisadora Armelle Charrié, do Laboratório de Espectrometria de Massas da Universidade de Estrasburgo, combinou técnicas de análise molecular e estudo de grãos de pólen para mapear os componentes das camadas. O trabalho utiliza um enfoque interdisciplinar para interpretar a história do casco.

Materiais de impermeabilização

A base do revestimento era resina de coníferas aquecida, transformada em piche. Todas as amostras continham marcadores do pinheiro. Uma camada adicional misturou piche com cera de abelhas, formando uma pasta mais flexível ao aquecer e aplicar. Os gregos chamavam a mistura zopissa.

O que o pólen revelou

O piche atuou como armadilha para pólen do Mediterrâneo e da costa do Adriático, com sinais de oliveiras, azinheiras, amieiros e pinheiros. Análises indicam que a construção ocorreu em Brundisium, atual Brindisi, na Itália. A presença de pólen em camadas específicas confirma reparos na mesma região.

Desdobramentos arqueológicos

Dados anteriores sobre as pedras de lastro já apontavam para Brindisi como local de construção. A coincidência de sinais botânicos reforça que parte da manutenção ocorreu naquela área. A pesquisa demonstra que revestimentos orgânicos guardam informações sobre rotas e práticas de manutenção.

Impacto e perspectivas

O estudo demonstra que camadas de piche e resina trazem informações relevantes para a navegação antiga, indo além da arquitetura de madeira. A abordagem química e biológica abre caminhos para a investigação de outros naufrágios, com cada camada registrando uma etapa da viagem.

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