- Em 2024, a taxa de mortes por bilhão de quilômetros percorridos no trânsito subiu 2,4%, chegando a 28,04, resultado de aumento de 6,7% nas mortes e de 4,2% na quilometragem total.
- OONSV aponta que, mesmo com tendência de queda no longo prazo, a alta de 2024 não pode ser relativizada e sinaliza fragilidade do sistema de segurança viária.
- Em 2024, dezoito estados ficaram acima da média nacional, com a Região Nordeste concentrando as maiores taxas.
- Os motociclistas aparecem como o grupo mais vulnerável, com risco de morte cerca de 3,6 vezes maior do que o de ocupantes de automóveis.
- Paola Guimarães (Paulo Guimarães, CEO do Observatório) defende que a métrica de mortes por quilômetro ajuda a orientar políticas públicas, destacando desafios como falta de dados de quilometragem e necessidade de mudança de cultura na gestão pública.
O Brasil registrou 28,04 mortes por bilhão de quilômetros percorridos no trânsito em 2024, alta de 2,4% ante 2023. O aumento decorre do crescimento de 6,7% no total de mortes e de 4,2% na quilometragem percorrida.
Essa métrica, calculada com base na distância estimada vendida pela ANP e os óbitos no trânsito, é defendida pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) como a mais adequada para medir o risco. Dados foram divulgados em março de 2026.
Paulo Guimarães, CEO do ONSV, aponta que a elevação de 2024 não implica retrocesso estrutural, mas fragilidade do sistema de segurança viária. A leitura correta é de que o risco aumentou, mesmo com maior exposição nas vias.
Desigualdades regionais e risco por modo de transporte
O estudo aponta desigualdades regionais: 18 estados ficaram acima da média nacional em 2024. Regiões Nordeste e outras apresentam maiores taxas por quilômetro. Os motociclistas aparecem como o grupo mais vulnerável, com risco de morte cerca de 3,6 vezes maior que ocupantes de automóveis.
Guimarães afirma que o problema é sistêmico, ligado à mobilidade e à infraestrutura. A participação da motocicleta como solução de trabalho e deslocamento aumenta a exposição e o tempo nas vias, com proteção física mais limitada.
O executivo destaca que a resposta envolve qualificação de condutores, melhoria de infraestrutura, fiscalização mais eficiente e políticas públicas que mudem a lógica de acesso à mobilidade. O foco é reduzir o risco por exposição.
Políticas públicas e adoção da metodologia
A métrica mortes por quilômetro percorrido pode orientar políticas públicas ao considerar o risco por exposição, não apenas o volume de mortes. Indicadores tradicionais podem subestimar o problema se não levarem em conta a distância rodada.
Guimarães ressalta que a adoção ampla exige dados consolidados de quilometragem e mudanças institucionais. Segundo ele, o maior desafio não é técnico, e sim decisório na gestão pública.
O ONSV destaca que diversos países já monitoram o desempenho pela taxa por bilhão de quilômetros. A ideia é priorizar investimentos que reduzam o risco efetivo, não apenas o número de óbitos.
Para mais detalhes, consulte o estudo completo do ONSV. O portal oficial da entidade também reúne informações adicionais sobre a pesquisa.
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