- A Argentina registrou quarenta e dois casos de hantavírus em dois mil e vinte e seis, com quase o dobro de casos na campanha epidemiológica em comparação ao período anterior.
- Três passageiros morreram a bordo do cruzeiro MV Hondius, que partiu de Ushuaia em um passeio com 149 pessoas de 23 nacionalidades, em primeiro de abril.
- O Ministério da Saúde argentino vai capturar e examinar roedores em Ushuaia e reconstruir o itinerário do casal holandês, os primeiros a falecerem.
- Especialistas afirmam que não houve surto; os casos são isolados e a Argentina tem quatro áreas endêmicas com diferentes variantes do hantavírus.
- A variante Andes, associada a transmissão entre humanos, é a que aparece entre as hipóteses do navio; especialistas destacam que a infecção pode ter ocorrido fora de Ushuaia, devido ao período de incubação.
O Ministério da Saúde da Argentina anunciou que investiga o aumento de casos de hantavírus no país em 2026, sem confirmar surto. A medida envolve a captura e exame de roedores em Ushuaia, no extremo sul, de onde partiu o cruzeiro MV Hondius em 1º de abril, com 149 passageiros de 23 nacionalidades. Três ocupantes a bordo morreram.
A pasta também informou que irá reconstruir o itinerário do casal holandês, os primeiros casos fatais, que passaram pelo Chile antes de chegar à Argentina. O objetivo é identificar possíveis pontos de exposição ao vírus e entender a cadeia de transmissão.
Segundo boletim epidemiológico recente, o país registrou 42 casos de hantavírus em 2026 e 101 no período de campanha epidemiológica, de junho a junho. O número quase dobra comparado ao mesmo intervalo do ano anterior, mas autoridades e especialistas destacam que não houve surto.
A equipe técnica explica que os casos de hantavírus costumam ocorrer de forma esporádica no país, com quatro áreas endêmicas envolvendo distintas variantes. A variante Andes é citada como a de maior preocupação pela possibilidade de transmissão entre humanos.
Para o pesquisador Raúl González Ittig, da Universidade Nacional de Córdoba, não há evidências de contágio local no caso do navio. Ele ressalta que não houve registro de hantavírus em Ushuaia nem em áreas vizinhas da Terra do Fogo, o que torna improvável a origem local da infecção.
O especialista aponta ainda o tempo de incubação da doença, que pode durar semanas, abrindo a possibilidade de exposições ocorridas em locais anteriores ao embarque. Caso a infecção tenha ocorrido após o cruzeiro, falaria-se de outra origem, não de Ushuaia.
O diretor de Epidemiologia da província, Juan Petrina, concorda com a avaliação de baixa probabilidade de contágio local. Ele enfatiza a ausência histórica de casos na região, reforçando que as investigações continuam para esclarecer a origem e as ligações dos casos.
Entre na conversa da comunidade