- Conflitos armados emitem milhões de toneladas de CO₂, acelerando a crise climática, mas costumam ficar fora de metas oficiais de carbono.
- Nos primeiros 14 dias da guerra no Irã, bombardeios, incêndios e deslocamentos geraram cerca de 5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, superando emissões anuais de países como El Salvador.
- Se as forças militares do mundo fossem um país, seriam o quarto maior emissor de gases de efeito estufa, com cerca de 2,7 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano,>5% do total global; o top três seriam China, Estados Unidos e Índia.
- Em 2025, apenas seis países apresentaram dados desagregados de emissões militares à Convenção-Quadro da ONU; o restante não informa, e o que entra na conta é apenas consumo energético de bases e frotas, sem considerar munições, logística, combustível bélico e resíduos de guerra.
- A ONU aponta que, com 15% do gasto militar global de 2025, seria possível financiar toda a adaptação climática no Sul Global; hoje os investimentos em guerra desviam recursos de transição energética, saúde e educação, agravando riscos climáticos e impactos ecológicos.
A guerra também aquece o planeta: a face esquecida da crise climática. Em períodos de conflito, bombardeios, incêndios e deslocamentos geram emissões de gases de efeito estufa que não costumam entrar nos inventários oficiais. O impacto é amplo e frequente, mesmo quando as atenções estão voltadas para as vítimas diretas do confronto.
Levantamento da Conflict and Environment Observatory aponta que, se as forças militares do mundo formassem um país, seriam o quarto maior emissor de CO₂ equivalente, com cerca de 2,7 bilhões de toneladas por ano, acima de 5% das emissões globais. China, EUA e Índia estariam à frente.
Nos primeiros 14 dias da guerra no Irã, incêndios, bombardeios e deslocamentos já geraram 5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, superando em um ano a produção de países como El Salvador. O número não entra, em sua maioria, nos inventários climáticos oficiais.
Emissões militares: realidade invisível
O uso de bases, frotas e consumo energético responde por parte dessas emissões, mas pouco se contabiliza o uso de munições, logística e resíduos de guerra. Em 2025, apenas seis países reportaram dados desagregados de emissões militares à UNFCCC: Alemanha, Bulgária, Chipre, Eslováquia, Hungria e Noruega.
Em estudo da ONG Política por Inteiro, a guerra na Ucrânia gerou 311,4 milhões de toneladas de CO₂ em quatro anos, com 37% do total vindo do combate direto. Incêndios florestais, reconstrução e deslocamentos contribuíram para o restante.
A guerra em Gaza, conforme pesquisa publicada pela revista One Earth em 2026, atingiu 33,2 milhões de toneladas em 15 meses. Isso equivale a quase um ano de emissões de países como a Hungria.
Despesas, PIB e custos ocultos
O conflito eleva as emissões, ao mesmo tempo em que a destruição impulsiona o crescimento do PIB, por meio da atividade de reconstrução, fabricação de armamentos e gastos com logística. Economistas destacam que o PIB mede atividade econômica, não bem-estar ou sustentabilidade.
Segundo a ONU, em 2025 os gastos militares globais chegaram a US$ 2,9 trilhões, algo como US$ 334 por pessoa. Com apenas 15% desse valor, seria possível financiar toda a adaptação climática necessária no Sul Global, segundo estimativas da própria ONU.
Consequências globais
O impacto não fica limitado às fronteiras onde ocorre a guerra. Pesquisadores destacam que uma crise geopolítica no Estreito de Ormuz pode acelerar o desmatamento em outras regiões, como o Cerrado brasileiro, evidenciando uma cadeia causal indireta entre conflitos e mudanças ambientais.
A agenda climática enfrenta o desafio de incluir as emissões militares nos inventários nacionais de forma mais completa. Sem métricas que revelem a destruição de capital natural, impactos climáticos e custos sociais, as decisões políticas podem seguir com instrumentos desatualizados.
Contexto e caminhos
Especialistas defendem que a visibilidade dessas emissões é crucial para decisões mais transparentes e para financiar transições energéticas, saúde e educação. O texto destaca a necessidade de métricas que indiquem perdas ambientais e sociais associadas a conflitos.
Este resumo baseia-se em estudos e relatos de fontes como Conflict and Environment Observatory, One Earth e análises da ONU. As informações ajudam a entender a relação entre conflito e clima, além de apontar lacunas na contabilização de emissões militares.
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