- A ressureição digital usa IA para recriar traços de personalidade a partir de fotos e vídeos, gerando novas imagens ou movimentos simulados com poucos recursos.
- Os estudos começaram nos anos oitenta, tendo como marco emblemático a apresentação de Tupac no Coachella de 2012, mesmo o artista tendo morrido em 1996.
- Há um mercado financeiro em torno de imagens de falecidos; em 2025, Michael Jackson liderou ranking de quem mais fatura, segundo a Forbes, e qualquer pessoa pode ser recriada.
- A decisão sobre usar a imagem de um artista morto depende da legislação de cada país; no Brasil, lacunas no Código Civil tornam o tema instável e geram debates, como o caso da Elis Regina em anúncio da Volkswagen, com autorização dos herdeiros.
- Artistas e cidadãos devem planejar o uso de sua imagem após a morte; deixar instruções em testamentos é uma opção, e a tendência é de maior uso da técnica, desde que haja regras claras para evitar abusos.
A ressureição digital, prática que permite recriar traços de personalidade de pessoas falecidas por meio de inteligência artificial, já não é exclusividade de celebridades. Especialistas afirmam que qualquer pessoa pode ser recriada a partir de poucos minutos de vídeo ou algumas imagens, o que tem gerado debates sobre uso e limites.
Gustavo Fortunato D’Amico, advogado paranaense e autor do livro Ressurreição Digital: Aspectos Jurídicos e Repercussões, atua como referência no tema. Ele aponta que a técnica utiliza IA para analisar padrões faciais e de movimento e gerar conteúdos novos a partir de material existente.
O debate ganhou contornos práticos com casos históricos, entre eles a apresentação de Tupac no Coachella de 2012, o que marcou a transformação da ideia em realidade pública. Análises indicam que a tecnologia utiliza vídeos e áudios curtos para aprender os traços da pessoa.
Segundo D’Amico, a IA recria elementos da personalidade ao observar padrões de imagem e som disponíveis, sem exigir grandes recursos. A prática pode gerar novas imagens ou performances simuladas, a partir de dados já existentes.
Apesar do retorno financeiro de personalidades falecidas, o tema envolve riscos e questões legais. A Forbes costuma listar quem mais lucra com imagem pós-vida, com Michael Jackson liderando em 2025, segundo fontes do setor.
A possibilidade não se restringe a famosos. Qualquer pessoa pode ser recriada, o que acende preocupações sobre privacidade e direitos de personalidade. Em redes sociais, usos não autorizados já ocorrem com frequência.
A responsabilização sobre a utilização de imagens sem autorização varia conforme a legislação de cada país. No Brasil, a decisão sobre uso de imagem de artistas falecidos costuma recair sobre familiares, mas o arcabouço jurídico atual tem lacunas.
Caso Elis Regina seja citado, D’Amico observa que o tema já faz parte da realidade e exige regras claras para evitar hiperexploração e banalização. O debate envolve tanto herdeiros quanto fãs e empresas.
Para proteger a imagem após a morte, o artista pode deixar instruções em testamentos ou documentos específicos. O direito de personalidade também se aplica a pessoas comuns, com cuidados semelhantes sobre autorização e finalidade.
Especialista acompanha o tema desde 2016 e acredita que a aceitação da recriação digital tende a crescer. O desafio atual é evitar danos a falecidos e aos herdeiros, com regras mais precisas para o uso institucional e criativo.
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