- Em Walthamstow, Londres, a Bomb Crater Pond, criada por um míssil V‑2 em 1945, tornou-se um lago de água limpa que sustenta plantas, insetos e anfíbios ao longo do ano.
- O local está protegido como área de interesse científico e, apesar de pequenino, funciona como “câmara de energia” para o ecossistema da maré.
- Não há vertedouros ou gestão hídrica: a profundidade natural da lagoa mantém a água constante e serve também ao gado que a utiliza.
- Ecologistas destacam que poças pequenas podem abrigar mais diversidade de espécies do que grandes rios ou lagos, oferecendo habitats variados e água limpa.
- Na Ucrânia, crateras criadas pela guerra somam milhões de unidades; especialistas apontam que, em muitos casos, o caminho é simplesmente repor o solo com terra limpa e devolver a terra ao uso, enquanto ainda existem minas e desafios de desminagem.
Bomb Crater Pond, em Walthamstow, leste de Londres, tornou-se um refúgio de vida selvagem décadas após a explosão de um foguete V2 em fevereiro de 1945. A cratera natural virou lago, sem controle de hidrologia, que sustenta plantas, insetos e anfíbios ao longo do ano.
O local fica numa área de marismas protegida como sítio de interesse científico. A água clara abriga espécies ao redor de um ambiente urbano densamente gerido, atraindo mais de um milhão de visitantes por ano que desconhecem a origem do lago modesto próximo à cerca perimetral. O ecossistema depende da água, da sedimentação e da fauna que o cerca.
Luke Boyle, guarda-parque da Lee Valley Regional Park Authority, destaca que o reservatório funciona como uma “maquina de funcionamento dos pântanos” devido ao seu tamanho, mas ao mesmo tempo sustenta um ecossistema maior. A área não possui comportas ou hidrologia planejada; a profundidade natural permanece estável ao longo do tempo, inclusive com o consumo de água por gado, que movimenta o entorno e cria habitats diversos.
A presença de espécies como sapos, rãs-touro e libélulas é comum na região, com migração de aves aquáticas na temporada. Pesquisadores lembram que pequenos lagos costumam abrigar maior diversidade de plantas e animais aquáticos do que rios ou lagos maiores, além de favorecer espécies raras ao longo do mosaico de condições ambientais.
Pesquisadores ressaltam que lagos pequenos costumam manter água limpa, o que favorece a biodiversidade de água doce. Segundo especialistas, poços de água menores evitam problemas típicos de corpos maiores, como poluição difusa. A criação e proteção de lagoas limpas são, portanto, estratégias eficazes para a conservação de espécies de água doce.
Enquanto Londres celebra o funcionamento natural do lago, pesquisadores recordam que a paisagem de crateras também encanta a ciência. A análise de crateras de bombas no continente europeu revela que, em condições adequadas, novas poças podem rapidamente se tornar habitats ricos, com colonização de anfíbios, insetos e outras espécies ao longo de poucos anos.
A devastação na Ucrânia e as crateras que sobem à superfície
Já a Leste europeia mostra outra história: desde fevereiro de 2022, milhares de crateras surgem na Ucrânia devido a ataques e destruição em regiões como Mykolaiv e Kherson. Estudos por imagens de satélite apontam milhões de crateras no país, com impactos ambientais de longo prazo. A paisagem devastada envolve solo, água e ecossistemas inteiros.
Anastasiia Splodytel, pesquisadora de solo ucraniana, destaca que o resultado depende do contexto: tipo de solo, estrutura geológica e tipo de arma empregada influenciam o que resta após a explosão. A contaminação de metais pesados nem sempre é extrema, mas a fertility do solo tende a diminuir, afetando microbiologia e estrutura do solo.
Especialistas também apontam riscos invisíveis, como a presença de artefatos não detonados que demandam décadas de desminagem. Em alguns casos, a recuperação envolve preencher crateras com solo limpo e restituir usos agrícolas ou de ecossistema. Em zonas altamente bombardeadas, a destruição de árvores e camadas do solo agravam o desafio de restauração.
Por fim, observadores olham para a recuperação possível mesmo em cenários de guerra intensa. Em crateras profundas e áreas florestais, surgem pequenos recursos hídricos que podem se tornar hotspots de biodiversidade, servindo como abrigo para várias espécies e como memória de resiliência ambiental diante do conflito.
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