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Modelos climáticos falham em mapear o impacto humano em rotas de tempestades

Estudo mostra que modelos climáticos subestimam mudanças nos ventos que definem trajetórias de tempestades, prejudicando avisos e contribuindo para enchentes com perdas em Valencia

The aftermath of severe flooding in Valencia in October 2024.
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  • Em outubro de 2024, a região leste da Espanha, especialmente Valencia, foi atingida por uma tempestade que provocou enchentes com mais de 230 vidas perdidas.
  • As previsões previam uma frente de chuva intensa, mas não conseguiram indicar com precisão onde e quando choveria muito.
  • Um estudo publicado na revista Nature aponta que uma das razões da dificuldade é que os modelos climáticos subestimam as mudanças nos padrões de vento em grande escala, como a corrente de jato, que definem o trajeto das tempestades.
  • Lei Gu, da Universidade de Oxford, e colegas analisaram padrões de chuva de inverno no hemisfério norte de 1950 a 2022, considerando atmosfera mais quente e mudanças de circulação.
  • Os resultados indicam que os modelos captam bem o aumento da umidade com o aquecimento, mas têm dificuldade em representar a mudança de circulação causada pelas emissões humanas; melhorar a separação entre variações naturais de vento e a crise climática é crucial para previsões regionais e avisos prévios de eventos extremos, evitando tragedias como a de Valencia.

A pesquisa aponta falhas importantes em modelos climáticos ao prever trajetórias de tempestades e o impacto de chuvas intensas. Em Valencia, Espanha, em outubro de 2024, uma tempestade causou inundações mortais após chover o equivalente a mais de um ano em poucas horas. Mais de 230 pessoas perderam a vida. Forecasters previram o evento, mas não conseguiram indicar com precisão onde e quando a chuva seria mais intensa.

O estudo, liderado por Lei Gu, da Universidade de Oxford, analisa padrões de chuva de inverno no hemisfério norte entre 1950 e 2022. Os autores avaliam o papel de uma atmosfera mais quente e de mudanças na circulação atmosférica, como o jato de corrente, na distribuição de chuva.

Os resultados, publicados na Nature, mostram que os modelos capturam bem o aumento da umidade na atmosfera causado pelo aquecimento. Contudo, falham ao representar as mudanças nos padrões de circulação induzidas pelas emissões humanas, que definem onde a chuva cai.

Os autores destacam a necessidade de separar variações naturais de vento da crise climática causada pelo homem. Melhorar essa distinção é visto como essencial para previsões regionais de chuva extrema e para avisos antecipados que evitem tragédias futuras.

Implicações para previsões

A pesquisa sugere que aprimorar a representação de alterações na circulação atmosférica pode reduzir incertezas em cenários de tempo extremo. Investimentos em modelos mais sensíveis a jet stream podem ampliar o tempo de alerta e a preparação das comunidades.

Caminhos para políticas públicas

Especialistas ressaltam a importância de integrar previsões melhoradas aos planos de resposta a desastres. Medidas de adaptação, infraestrutura resistente e comunicação de risco podem mitigar impactos de tempestades com trajetórias imprecisas.

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