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Surto de hantavírus em cruzeiro: principais riscos à saúde a bordo

OMS investiga transmissão rara de hantavírus a bordo do MV Hondius; sete casos, três mortos, navio ancorado perto de Cabo Verde e debate sobre repatriação

Até agora, sete casos foram identificados: dois confirmados para hantavírus e cinco suspeitos
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  • A Organização Mundial da Saúde investiga possível transmissão de hantavírus a bordo do cruzeiro MV Hondius, com sete casos identificados (dois confirmados e cinco suspeitos) e três mortes desde o início da viagem.
  • O navio partiu de Ushuaia, na Argentina, em primeiro de abril, com cento e setenta e quatro passageiros e tripulantes, percorrendo áreas remotas do Atlântico Sul, e segue ancorado próximo de Cabo Verde até a data informada.
  • A OMS afirma que o risco para o público geral é baixo e não há recomendação de restrições de viagem; passageiros sintomáticos foram removidos e o navio pode seguir sob monitoramento.
  • Há dúvidas sobre se a infecção ocorreu antes do embarque ou houve transmissão dentro do navio; investigações epidemiológicas detalhadas ainda são necessárias.
  • A hantavírus é transmitida principalmente por roedores; a cepa Andes apresenta possibilidade de transmissão entre pessoas em casos raros, o que torna o episódio incomum em navios; autoridades destacam que o setor aplica normas sanitárias mais rígidas atualmente.

O surto de hantavírus registrado a bordo do navio MV Hondius, que realiza viagens na região do Atlântico Sul, é objeto de investigação da OMS. Três passageiros morreram desde o início da atual viagem, iniciada em Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril.

A embarcação, com 174 pessoas a bordo, percorreu áreas remotas como Antártica, Geórgia do Sul e Ilha de Ascensão. No dia 2 de maio, a OMS recebeu a comunicação formal sobre casos de doença respiratória aguda grave a bordo. Testes na África do Sul confirmaram um caso de hantavírus.

Até 5 de maio, foram identificados sete casos: dois confirmados laboratorialmente e cinco sob investigação. Entre as mortes, uma mulher holandesa já teve diagnóstico confirmado. Os outros dois óbitos seguem em apuração.

O navio permaneceu ancorado próximo a Cabo Verde, até esta terça-feira, sem conseguir concluir a operação sanitária necessária, segundo autoridades locais. A Espanha informou que receberia o Hondius nas Ilhas Canárias no fim de semana, conforme normas internacionais.

Contágio e explicações

Passageiros sintomáticos foram retirados; os demais estavam sem sinais. A decisão gerou reação política nas Canárias, com críticas sobre a necessidade de repatriação no arquipélago. A ideia é que o desembarque ocorra também por vias aéreas a partir de Cabo Verde.

Especialistas destacam que o hantavírus exige cuidado para não gerar alarmismo. A OMS avalia que a primeira infeção pode ter ocorrido antes do embarque e investiga ligações com a cepa Andes. A transmissão entre contatos próximos dentro do navio também é avaliada, mas é considerada rara.

Segundo a infectologista Elba Lemos, é prematuro concluir sobre transmissão a bordo ou exposição pré-embarque. Ela ressalta a necessidade de dados clínicos e epidemiológicos completos para fundamentar qualquer conclusão.

Pontos de vigilância e contexto

O hantavírus é transmitido principalmente por roedores silvestres, não por roedores urbanos. A cepa Andes, associada a uma eventual transmissão pessoa a pessoa, torna o caso incomum em ambientes de cruzeiro. Casos anteriores em navios costumam envolver vírus respiratórios ou gastrointestinais.

Lemos lembra que navios hoje seguem regras sanitárias mais rígidas do que no início da pandemia, incluindo climatização, manejo de alimentos, descarte de resíduos e controle de água. A avaliação detalhada cabe a reguladores como a Anvisa.

Perspectivas para os passageiros

A OMS recomenda monitoramento de sintomas, higiene das mãos e ventilação adequada. Os passageiros sintomáticos devem ser isolados conforme protocolo médico. A infectologista ressalta a importância de orientar viajantes sobre riscos sanitários dos destinos visitados.

A Oceanwide Expeditions, operadora do Hondius, afirma manter foco na saúde e na segurança de todos a bordo. A empresa diz que o navio opera sob protocolos médicos e sanitários rigorosos. As autoridades seguem acompanhando o avanço da investigação.

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