- No Brasil, medicamentos tarjados exigem prescrição médica, mas no ambiente digital essa regra quase não é aplicada, criando um sistema paralelo.
- Influenciadores digitais e pseudo médicos atuam como prescritores informais, promovendo substâncias e orientando compras, o que configura publicidade irregular e possível exercício ilegal da medicina.
- Farmácias de manipulação e clínicas oferecem formulações sem comprovação científica, em formas farmacêuticas não testadas, incluindo semaglutida manipulada ou importada ilegalmente.
- Vira um mercado de medicamentos sem registro adequado e sem fiscalização, guiado pelo engajamento algorítmico, aumentando uso indiscriminado e riscos à saúde.
- Urge agir: aplicar a regulação existente, responsabilizar plataformas e coibir a prescrição informal, com participação de Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Conselhos Regionais de Medicina e de Farmácia e Ministério Público.
A disseminação de informações sobre medicamentos ganhou novo impulso nas redes sociais, com vídeos curtos que, segundo especialistas, chegam a prescrever substâncias sem orientação médica. No Brasil, isso ocorre em meio a um cenário de desinformação, automedicação e fiscalização insuficiente.
Dados apontam que aparecem ofertas de medicamentos tarjados sem exigência de receita, bem como tutoriais sobre uso e compra. Tadalafila em spray e semaglutida em gotas são citadas como opções mais acessíveis, muitas vezes sem qualquer indicação médica. A lógica é algorítmica: maior engajamento, maior alcance.
Influenciadores e “pseudo médicos” atuam como receptores de cada orientação informal, promovendo substâncias e sugerindo aplicações. Em muitos casos, há publicidade irregular de medicamentos e exercício ilegal da medicina, o que contraria a ética profissional.
Regulação e riscos
Ao mesmo tempo, farmácias de manipulação e clínicas promovem formulações sem comprovação, em formas farmacêuticas não testadas. A semaglutida manipulada é citada como exemplo de falha no controle. O mercado paralelo opera sem registro adequado nem responsabilidade clara.
O resultado é um uso indiscriminado de substâncias potentes, com potencial de eventos adversos. A confiança no sistema regulatório é afetada, aumentando os riscos para pacientes. O ambiente digital, sem fiscalização efetiva, amplia esse liame entre conteúdo e consumo.
A diferença entre indústria farmacêutica regulada e o ecossistema online é significativa. Enquanto o setor formal segue registros, evidência científica e regras de publicidade, o espaço digital funciona com menor controle, criando assimetrias perigosas.
Atenção regulatória é necessária para evitar que a próxima crise sanitária seja causada por desinformação e automedicação. Analistas sugerem maior responsabilização de plataformas e aplicação das normas existentes.
O que precisa ocorrer
É essencial aplicar a regulação vigente, responsabilizar plataformas e coibir prescrições informais. Agências como Anvisa, Conselhos de Medicina e de Farmácia e o Ministério Público são apontadas como instrumentos para enfrentar o problema.
Medicamento não é conteúdo. Quando o algoritmo passa a prescrever, o sistema de saúde perde proteção. A atuação conjunta entre órgãos reguladores e plataformas é considerada urgente para reduzir riscos e retomar o controle.
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