- Expedição em Fernando de Noronha e no arquipélago de São Pedro e São Paulo mapeou cerca de sete mil peixes, de 94 espécies, até 120 metros de profundidade.
- Nas zonas mesofóticas, com pouca luz, os peixes apresentaram maior especialização ecológica, cada espécie desempenhando funções diferentes para a sobrevivência.
- Em Fernando de Noronha, houve maior riqueza de espécies, mas com funções repetidas entre diferentes peixes.
- Em São Pedro e São Paulo, houve menos espécies, porém com indivíduos mais diferenciados e especializados em funções específicas.
- O estudo, realizado entre 2017 e 2019 pelo Centro de Biologia Marinha, universidade e academia de ciências, foi publicado na revista Neotropical Ichthyology.
Uma expedição brasileira avaliou peixes de recifes em dois arquipélagos: Fernando de Noronha e São Pedro e São Paulo. Entre 2017 e 2019, os pesquisadores mapearam quase 7 mil peixes de 94 espécies, em profundidades de até 120 metros.
O estudo mostrou que, nas zonas mesofóticas — com pouca luz — os peixes executam funções ecológicas diferentes entre si. Essa diversidade funcional é vista como estratégia para a sobrevivência e o equilíbrio do ecossistema.
Diferenças entre os arquipélagos
Em Noronha, houve maior riqueza de espécies, com papéis ecológicos semelhantes entre elas. Já em São Pedro e São Paulo, o conjunto é menor, mas as espécies presentes apresentam funções mais diferenciadas e especializadas.
Para a pesquisadora Julia Marx, da USP (Cebimar), papéis ecológicos correspondem a funções como alimentação, reciclagem de nutrientes e controle de populations. No arquipélago isolado, cada espécie tende a ter um papel mais específico.
Impactos e relevância ecológica
Durante as mergulhos, realizados até 120 m, os pesquisadores registraram 7 mil indivíduos de 94 espécies. As zonas mesofóticas, entre 30 e 120 m, apresentam baixa temperatura e menor disponibilidade de luz.
Em São Pedro e São Paulo, predomina a diversidade funcional entre menos espécies. Em Noronha, a maior contagem de espécies não se traduz em maior variedade de funções, indicando redundância em papéis.
Conclusões da pesquisa
Recifes profundos e isolados do Atlântico Sudoeste abrigam comunidades com alta especialização e menor redundância de funções. Isso sugere maior sensibilidade a perdas de espécies-chave nesses ambientes.
Os autores defendem ampliar políticas de conservação marinha, incluindo áreas abaixo de 30 metros de profundidade e foco maior em áreas oceânicas isoladas, pouco exploradas.
A pesquisa foi realizada pelo Cebimar em parceria com a UFES e a California Academy of Sciences, com publicação na revista Neotropical Ichthyology. O estudo apresenta padrões de diversidade funcional ao longo de gradientes de profundidade.
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