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Suplementos como magnésio e taurina não comprovam eficácia contra infarto

Especialistas ressaltam que magnésio glicinato, taurina e nattokinase não reduzem infarto; prevenção depende de colesterol, pressão, diabetes e fatores de risco

Anvisa diz que suplementos não servem para tratar nem prevenir doenças.
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  • Vídeo no Facebook afirma que magnésio glicinato, taurina e nattokinase poderiam proteger o coração contra infarto, mas o veredito é de falso.
  • A leitura do Estadão Verifica aponta ausência de evidência clínica de que esses suplementos reduzam risco de infarto ou de doenças cardiovasculares.
  • Especialistas destacam que a prevenção envolve controle de fatores de risco estabelecidos, como LDL, pressão arterial, diabetes, tabagismo, peso e estilo de vida.
  • A Anvisa afirma que suplementos alimentares não são medicamentos e não devem ser usados para tratar nem prevenir doenças.
  • Há alerta sobre riscos de desinformação, já que conteúdos assim podem levar pessoas a abandonar tratamentos comprovados, como estatinas ou aspirina, indicados para doenças cardíacas.

O vídeo que circula nas redes sociais afirma que três suplementos — magnésio glicinato, taurina e nattokinase — seriam capazes de proteger o coração contra infartos. Ao analisar o conteúdo, o Estadão Verifica concluiu que a alegação é falsa e não há evidências clínicas de benefício.

Especialistas consultados destacam que a prevenção de doenças cardiovasculares depende do controle de fatores de risco como LDL, pressão arterial, diabetes, tabagismo, peso e estilo de vida. A Anvisa afirma que suplementos alimentares não são medicamentos e não devem ser usados para prevenir ou tratar doenças.

O conteúdo chegou ao público pelo Facebook, com mais de 30 mil curtidas e 3,8 mil compartilhamentos. O autor aparece como Renato Silveira dos Reis, com grande base de seguidores no Instagram, mas não há registro dele no Conselho Federal de Medicina. No site, ele se apresenta como farmacêutico e mestre em medicina.

Não existem evidências para recomendar o uso desses suplementos para proteção cardíaca. O médico André Zimerman explica que apenas estudos amplos e consistentes poderiam sustentar tal benefício, o que não ocorre para magnésio glicinato, taurina ou nattokinase.

O cardiologista Roberto Rocha Giraldez, do InCor, reforça que tratamentos diagnósticos e medicamentos usados hoje passam por critérios rigorosos de comprovação. Ele cita que há dezenas de estudos que comprovam a eficácia de estatinas, AAS ou controle de pressão arterial, algo ausente para os suplementos citados.

A narrativa de um “racional teórico” sem base populacional sólida foi destacada pelos especialistas, que ressaltam a ausência de estudos grandes comparando usuários e não usuários dessas substâncias. Não há dados que sustentem benefício clínico comprovado em humanos.

Apesar de o autor do vídeo sugerir que AAS e estatinas não funcionam, os médicos apontam o oposto: esses tratamentos já mostraram redução de infarto, AVC e mortalidade em pacientes de risco, com base em pesquisas de grande porte.

A preocupação com promessas de cura milagrosa é evidente. Zimerman alerta para o risco de abandono de terapias eficazes e adiamento de avaliação médica. Giraldez classifica a desinformação como nociva para pacientes em tratamento.

Segundo a Anvisa, suplementos destinam-se a complementar a alimentação e não substituem tratamento médico. O setor também tem histórico de irregularidades, com denúncias por propaganda enganosa em plataformas digitais entre 2020 e 2025.

Os especialistas ressaltam ainda que o uso indiscriminado de suplementos pode trazer riscos, especialmente para quem já apresenta fatores de risco. E o maior perigo pode ser justamente abandonar terapias comprovadas para doenças cardíacas.

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