- Leguminosas como feijão, lentilha e grão-de-bico associaram-se a 16% menos chance de desenvolver hipertensão.
- Alimentos derivados da soja (edamame, tofu, missô, tempeh, leite de soja) mostraram redução de 19% no risco.
- A análise reuniu doze estudos prospectivos com participantes de países como Estados Unidos, China, Japão, França e Reino Unido.
- Quantidades ideais: até cerca de 170 gramas por dia de leguminosas e entre 60 e 80 gramas diárias de soja para maiores benefícios.
- Mecanismos potenciais: leguminosas e soja fornecem potássio, magnésio e fibras; na soja, isoflavonas podem ajudar a baixar a pressão arterial.
Diante de evidências recentes, uma análise publicada na BMJ Nutrition Prevention & Health aponta que o consumo regular de leguminosas pode estar associado à redução do risco de hipertensão. O estudo reúne dados de 12 pesquisas prospectivas conduzidas em países como EUA, China, Japão, França e Reino Unido, com participação variando de mil a quase 90 mil pessoas, até junho de 2025. O objetivo foi investigar o impacto de feijão, lentilha, grão-de-bico e outras leguminosas, além de alimentos à base de soja, no risco de desenvolver pressão alta.
A hipertensão é multifatorial, envolvendo herança, sal, álcool, obesidade e gorduras saturadas. Mesmo assim, os autores destacam que hábitos alimentares, especialmente o consumo de leguminosas, podem contribuir para a prevenção da doença. Sintomas costumam passar despercebidos, mas a hipertensão aumenta o risco de AVC, infarto e insuficiência cardíaca.
O estudo também avaliou produtos à base de soja, como edamame, tofu, missô, tempeh e leite de soja, observando reduções associadas do risco de hipertensão.
Resultados
Pessoas com maior ingestão de leguminosas apresentaram 16% menos chances de desenvolver pressão alta, em comparação com quem consumia menos desses alimentos. Entre os derivados da soja, a redução foi de 19%.
A análise indicou que a ingestão ideal para obter o benefício é de até cerca de 170 gramas diários de leguminosas, o que corresponde a aproximadamente uma xícara de feijão ou cinco a seis colheres de sopa. Para produtos de soja, o intervalo eficaz ficou entre 60 e 80 gramas por dia, sem ganhos adicionais além dessa faixa.
Segundo os pesquisadores, há bases biológicas plausíveis para os efeitos observados. Leguminosas e soja são fontes de potássio, magnésio e fibras, nutrientes ligados ao controle da pressão arterial. A fermentação das fibras também pode gerar ácidos graxos de cadeia curta, que ajudam na dilatação dos vasos.
Isoflavonas presentes na soja também podem exercer efeito positivo sobre a pressão arterial, segundo as hipóteses discutidas no estudo.
Limitações e perspectivas
Os autores destacam limitações, como variações nos tipos de leguminosas avaliadas, modos de preparo, padrões alimentares e critérios para definir hipertensão. Apesar disso, o conjunto de evidências é considerado compatível com uma relação causal provável entre o consumo desses alimentos e a queda do risco de hipertensão, conforme critérios do World Cancer Research Fund.
Especialistas ressaltam que a pesquisa reforça o papel de dietas baseadas em vegetais na proteção cardiovascular. O estudo também oferece metas práticas que podem orientar recomendações de saúde pública e práticas clínicas.
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