- Estudo, publicado em março no European Heart Journal, analisou 123.762 mulheres submetidas à mamografia de rotina sem histórico de doença cardiovascular.
- Usando IA, pesquisadores mediram depósitos de cálcio nas artérias mamárias, associados ao envelhecimento e ao enrijecimento dos vasos, relacionados a maior risco de eventos cardiovasculares.
- Eventos como infarto, AVC e insuficiência cardíaca aparecem mais ligados a esse acúmulo, que é uma manifestação da aterosclerose sistêmica.
- A pesquisadora Sofia Lagudis, do Einstein Hospital Israelita, diz que a mamografia pode ampliar o papel do exame, já que mulheres costumam se preocupar mais com câncer do que com o coração.
- Especialistas ressaltam a necessidade de mais estudos e validação da IA em diferentes aparelhos; a mamografia não deve substituir métodos específicos para diagnóstico de doença coronária.
Além do câncer, a mamografia com IA pode indicar riscos cardíacos. Pesquisadores dos Estados Unidos analisaram como o exame, tradicionalmente utilizado para rastrear o câncer de mama, pode evidenciar sinais precoces de alterações nas artérias. O estudo sugere um novo potencial do procedimento.
Publicado em março no European Heart Journal, o estudo utilizou dados de 123.762 mulheres submetidas a mamografias de rotina sem histórico cardiovascular. A IA mediu depósitos de cálcio nas artérias mamárias, associando o acúmulo ao envelhecimento e ao enrijecimento vascular.
A presença de calcificação tem relação indireta com maior risco de eventos cardiovasculares, como infarto, AVC e insuficiência cardíaca. Ainda não é um indicativo direto, exigindo validação com mais pesquisas e adaptação da IA aos equipamentos disponíveis.
Mamografia e riscos cardíacos
A incorporação da avaliação cardíaca na mamografia poderia ampliar a detecção precoce de aterosclerose e auxiliar na estratificação do risco. Planos de uso devem considerar a combinação com outros métodos diagnósticos já validados no contexto clínico.
Especialistas ressaltam que não se deve usar a mamografia como ferramenta primária para investigar doença coronária. Existem métodos específicos para esse fim, sobretudo quando há suspeita clínica. A validade da abordagem depende de novos testes comparativos.
Considerações técnicas e riscos
A calcificação das artérias mamárias reflete aterosclerose sistêmica, não garantindo, por si só, a ocorrência de infarto. Novos estudos devem confirmar a precisão da IA e avaliar a compatibilidade com diferentes aparelhos de mamografia.
Atenção deve também recair sobre fatores de risco modificáveis, como pressão, glicose e colesterol. Estilo de vida saudável, não fumar, alimentação equilibrada e atividade física regular ajudam a reduzir o risco cardiovascular, especialmente em mulheres na transição hormonal.
Profissionais destacam a necessidade de validação adicional e de adaptar a ferramenta de IA aos equipamentos convencionais. Pesquisas futuras devem esclarecer o papel da mamografia na triagem cardiovascular em prática clínica.
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