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Mercado do chip da beleza cresce no Brasil apesar de alertas médicos

Mercado milionário do “chip da beleza” avança no Brasil apesar de alertas médicos e da falta de comprovação científica, com riscos à saúde em evidência

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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  • O chamado “chip da beleza” é um implante hormonal sob a pele, com substâncias como testosterona e gestrinona, usado para fins estéticos no Brasil.
  • O mercado cresce impulsionado por redes sociais, prescrição médica, capacitações para profissionais e parcerias com farmácias de manipulação, segundo relatos.
  • Entidades médicas e reguladores alertam que não há comprovação científica de benefícios estéticos e apontam riscos graves à saúde, como hipertensão, arritmias, AVC e alterações de colesterol.
  • Em 2024, a Anvisa chegou a proibir a manipulação e divulgação dos implantes, mas a medida perdeu força após pressão do setor; o CFM aponta possíveis conflitos de interesse entre profissionais e o modelo comercial.
  • Casos vividos pela imprensa, como o de uma jovem internada com edema cerebral após receber implantes, ajudam a reforçar os alertas sobre riscos e a necessidade de maior escrutínio regulatório.

O mercado brasileiro conhecido como “chip da beleza” cresce mesmo diante de alertas médicos e da falta de comprovação científica. Trata-se de implante hormonal sob a pele, com promessas de emagrecimento, mais disposição, ganho de massa muscular e libido, mas o efeito estético não é respaldado por pesquisas robustas.

O produto não é um chip eletrônico; é um implante que libera hormônios, entre eles testosterona e gestrinona, substâncias com efeito anabolizante. Profissionais de saúde reconhecem que não há evidência de benefício para a saúde de pessoas saudáveis quando utilizado apenas para fins estéticos.

O tema ganhou destaque nas redes sociais, impulsionado por influenciadores e conteúdos de transformação corporal. O uso tem sido comercializado por meio de prescrições, cursos de capacitação para profissionais e parcerias com farmácias de manipulação, segundo especialistas.

Riscos e regulamentação

Entidades médicas classificam a prática como doping, com riscos graves como infarto e trombose. O Conselho Federal de Medicina aponta potenciais conflitos de interesse quando médicos participam de várias etapas do processo comercial.

Em 2024, a Anvisa tentou proibir a manipulação, venda e divulgação dos implantes hormonais. A medida perdeu força após pressão do setor. A SBEM classificou a decisão como vitória para a saúde pública frente aos riscos observados.

A regulamentação permanece ambígua: substâncias autorizadas ainda são manipuladas em clínicas de diversas regiões, sem clareza sobre limites de aplicação prática. O cenário atual permite continuidade de uso estético com restrições técnicas.

Nas redes, a divulgação costuma mirar o público feminino, com foco em resultados rápidos. A publicidade amplia a ideia de que o implante é caminho eficiente para padrões corporais valorizados, o que acarreta questionamentos da comunidade médica.

A Anvisa ressalta riscos graves à saúde, incluindo hipertensão, arritmias, AVC e alterações no perfil lipídico. Entre efeitos colaterais, há acne, queda de cabelo, aumento de pelos, alterações de voz, insônia e agitação.

Caso amplamente divulgado ocorreu no final de 2023, quando uma jovem hospitalizada apresentou edema cerebral cerca de 24 horas após receber implantes contendo várias substâncias. O incidente elevou o alerta de entidades médicas sobre os perigos do procedimento.

O episódio levou a manifestações de órgãos reguladores e associações médicas, que reforçam a necessidade de avaliação cuidadosa de riscos e de evidências científicas antes de ampliar o tema para uso estético.

Mesmo com apelos de cautela, o mercado envolve compras, orientação profissional e divulgações que podem superar a compreensão de pacientes sobre os riscos. A complexidade do tema exige acompanhamento técnico e avaliação clínica criteriosa.

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