- Dois sobreviventes do hantavírus — Lorne Warburton, canadense, e Christian Ege, alemão — contam que tiveram infância difícil com a doença e que se consideram sortudos por não terem morrido.
- Warburton ficou internado em março de 2023, conectando-se a aparelhos de suporte à vida; descreveu a experiência como “tortura” e passou cerca de três semanas no hospital.
- Ege apresentou, em maio de 2019, sintomas parecidos com gripe forte e, após exames, desenvolveu insuficiência renal e sepse, precisando ficar na UTI por alguns dias e passar por diálise.
- A doença está ligada a uma cepa rara identificada após o surto em um cruzeiro holandês; três passageiros do MV Hondius morreram, e dois britânicos foram evacuados para tratamento na Holanda.
- Não há vacina amplamente disponível nem antiviral específico; o tratamento é de suporte, com recuperação geralmente longa, incluindo ajustes cardíacos e reabilitação física.
Dois sobreviventes de hantavírus contaram à BBC que, mesmo diante da gravidade do quadro, consideraram-se sortudos por não terem morrido. Eles relatam viver mudanças profundas de saúde após o diagnóstico, com internação e suporte vital.
O canadense Lorne Warburton descreveu, em março de 2023, uma piora súbita na saúde que o levou à provocativa expressão de que foi tortura ficar ligado a aparelhos. Os sintomas iniciais lembraram uma gripe forte, com dores no corpo, cefaleia e fadiga intensa, evoluindo para dificuldade respiratória.
Em território alemão, Christian Ege passou por uma evolução parecida. Em maio de 2019 apresentou vômitos, tontura e mal-estar estomacal, seguido por insuficiência renal, sepse e internação na UTI. O diagnóstico de hantavírus surgiu após exames solicitados pelo médico.
O caso de Ege incluiu tratamento de diálise temporária via cateter no pescoço e monitoramento de perto da função renal. Ele afirmou que a pior parte foi a sepse associada ao quadro, ainda que os rins tenham se recuperado ao longo do tempo.
Esses dois sobreviventes estão entre os poucos relatos públicos sobre hantavírus, doença associada a altas taxas de mortalidade entre as cepas mais agressivas, que variam de 20% a 40%, conforme a OMS. As informações chegam em meio a um surto ligado a um navio de cruzeiro holandês.
Casos no MV Hondius
O navio MV Hondius teve três passageiros mortos após deixar a Argentina em direção ao Oceano Atlântico, há cerca de um mês. A operadora informou que três pacientes, incluindo um britânico, foram evacuados para a Holanda para tratamento médico. Um deles, o britânico Martin Anstee, permanece estável.
A UKHSA reportou dois cidadãos britânicos isolados em casa após possível exposição ao hantavírus. O navio segue viagem para as Ilhas Canárias, após ficar três dias ancorado próximo a Cabo Verde.
Aspectos clínicos e resposta médica
Os hantavírus são transmitidos principalmente por roedores, através de urina e fezes secas, ou por mordidas. A infecção ocorre pela inalação de partículas no ar ou contato com roedores contaminados. Não há vacina amplamente disponível nem tratamento antiviral específico; o manejo é de suporte, com internação e suporte respiratório.
Lorne Warburton relatou recuperação lenta, com dois passos adiante e quatro para trás, além de complicações como fibração atrial. Ele participa de ações para apoiar instituições de saúde locais.
Christian Ege afirmou que, após meses de recuperação, não houve danos graves persistentes, mas o processo foi mais longo do que o esperado, com diálise sendo um período desgastante.
Ambos destacam a importância do acompanhamento médico e do suporte contínuo durante a recuperação. O episódio reforça a necessidade de vigilância e de informações precisas sobre hantavírus em situações de surto.
Este conteúdo é uma reprodução baseada em reportagens da BBC, com versão adaptada para o portal.
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