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Na era das redes, pesquisa alerta: as pessoas falam cada vez menos

Pesquisa de universidades americanas aponta queda de 28% nas palavras diárias, afetando bem-estar, vocabulário e comunicação

Palavras em extinção
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  • Pesquisas realizadas pelas universidades de Missouri e do Arizona mostram queda no total de palavras faladas por dia, de 16.632 para 11.900, ao longo de cerca de quinze anos (redução de 28%).
  • A queda aparece em todas as idades, mas é mais acentuada entre as novas gerações, com juventude falando 451 palavras a menos por dia por ano, 30% a mais do que adultos.
  • O aumento do uso da internet e o trabalho remoto são apontados como motores desse fenômeno, com menos conversas presenciais no dia a dia.
  • A redução na fala também facilita uma escrita mais enxuta e pode exigir mais cuidado para evitar mal-entendidos, segundo especialistas.
  • Especialistas sugerem reverter a tendência incentivando conversas presenciais, por exemplo, falando com uma pessoa a mais por dia.

Durante milênios, a fala foi ferramenta central de cooperação humana. Hoje, uma pesquisa realizada por universidades americanas, em Missouri e no Arizona, aponta queda no número de palavras faladas por dia entre os humanos modernos. A série de dados mostra redução de 28% em 16.632 para 11.900 vocábulos diários.

O estudo acompanhou 2.200 pessoas, da infância à velhice, confirmando o recuo entre todas as idades, com maior intensidade entre jovens. Os pesquisadores destacam uma queda de 30% mais acentuada entre a geração atual, cuja vida online reduz oportunidades de conversação presencial.

A pandemia acelerou mudanças no comportamento comunicativo, com aumento do trabalho remoto e menos conversas cara a cara. Profissionais relatam sensação de esquecer o som da própria voz após longos períodos em videoconferência.

A transição para a comunicação escrita, mais rápida, tende a produzir textos curtos e diretos. A linguagem passa a depender menos de entonação, expressão facial e tom, o que pode aumentar mal-entendidos entre interlocutores.

Neurociência e linguística associam a redução verbal a impactos no funcionamento cerebral. Em tempo real, o cérebro precisa decodificar falas, tom e intenções, o que exige mais recursos cognitivos. Menos palavras podem reduzir esse repertório.

Especialistas destacam consequências para a saúde cognitiva a longo prazo. Um vocabulário mais amplo está ligado ao retardamento de doenças neurodegenerativas e ao bem-estar social, ao manter laços mais fortes por meio da fala.

Em crianças, a situação é especialmente sensível. Estudo da Universidade do Texas aponta que mães que dividem a atenção entre o filho e o celular falam cerca de 20% menos, o que pode influenciar o vocabulário em formação.

Esse cenário leva a recomendações simples para conter a tendência. Aumentar a frequência de conversas diárias com pessoas diferentes pode reverter parte da redução. Também se enfatiza a qualidade do discurso em detrimento da pressa na comunicação escrita.

Ainda assim, embora a articulacão oral se torne menos constante, a fala continua essencial para o desenvolvimento social e cognitivo. Pesquisadores lembram que a prática verbal alimenta a linguagem, a expressão de ideias e o intercâmbio de saberes.

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