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Neurociência explica por que adolescentes passam horas falando com amigos

Estudo de Stanford mostra que, na infância, voz da mãe ativa regiões de recompensa; na adolescência, vozes não familiares ganham maior relevância neural

Estudo da Universidade de Stanford compara como o cérebro das crianças e dos jovens reage às vozes das mães e de desconhecidos.
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  • Estudo de Stanford acompanhou crianças de 7 a 16 anos que ouviram vozes da mãe e de desconhecidos, medindo a atividade cerebral.
  • Houve 97,7% de acerto na identificação da voz materna, sem diferença entre crianças e adolescentes.
  • Em crianças mais novas, a voz da mãe ativava mais regiões associadas à recompensa e ao valor social no cérebro.
  • Na adolescência, vozes não familiares passaram a gerar maior atividade nessas mesmas áreas, incluindo núcleo accumbens e córtex pré-frontal.
  • O estudo analisa apenas respostas neurais a estímulos simples, não comportamento, vínculos ou relações familiares; mudanças refletem reorientação social típica da adolescência.

O estudo da Universidade de Stanford investigou como a voz da mãe afeta a atividade cerebral de crianças e adolescentes. Participaram crianças de 7 a 16 anos, que ouviram gravações curtas da voz materna e de pessoas desconhecidas enquanto tinham a atividade cerebral medida. O conteúdo falado era irrelevante para o experimento.

Antes de analisar as reações, os pesquisadores verificaram a capacidade de reconhecimento de voz. Houve acerto de 97,7% entre todos os participantes, sem diferença entre crianças e adolescentes. A voz da mãe permaneceu claramente reconhecível ao longo de todo o desenvolvimento.

O que mudou na resposta cerebral

Em crianças mais novas, a voz da mãe ativou com mais intensidade áreas ligadas à recompensa e ao valor social. Na adolescência, ocorre o efeito inverso: vozes não familiares geram maior atividade nessas mesmas regiões, como o núcleo accumbens e o córtex pré-frontal. A leitura envolve significado e atenção.

Essa variação não deve ser interpretada como explicação direta para o distanciamento entre pais e filhos. O estudo mede apenas a resposta neural a estímulos simples em ambiente controlado, não comportamento ou vínculos afetivos.

Os resultados sugerem uma reorientação social durante a adolescência, com o foco do cérebro se abrindo para o mundo externo. A mudança não ocorre apenas pelo objeto de interesse, mas pela forma de processar o ambiente social.

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