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Risco do hantavírus: como se prevenir e entender a ameaça

Surto de hantavírus a bordo de cruzeiro no Atlântico deixa três mortos e cinco doentes, trazendo dúvidas sobre transmissão, quarentena e cooperação internacional

Membro da Guarda Civil em tenda onde passageiros do navio MV Hondius serão recebidos, nas Ilhas Canárias, na Espanha. O navio teve três passageiros mortos por hantavírus no mês passado e outros oito casos confirmados
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  • O navio MV Hondius, com cerca de 114 pessoas a bordo, teve surto de hantavírus com cinco casos de doença e três mortes até o momento.
  • Quatro dos casos já são confirmados ou suspeitos a bordo; alguns passageiros desembarcaram em Santa Helena e retornaram a seus países.
  • A OMS diz que o risco para a saúde pública é baixo, mas prevê mais casos possivelmente relacionados ao navio; pode haver quarentena de até oito semanas desde a transmissão.
  • A origem ainda não está clara: pode ter ocorrido na Argentina ou por transmissão de roedores no navio; a cepa Andes pode, em teoria, transmitir entre pessoas.
  • Nos Estados Unidos, a saída da OMS e o corte do orçamento de programas de vigilância em navios de cruzeiro afetam a resposta a surtos, segundo especialistas.

O surto de hantavírus a bordo do MV Hondius, navio explorador polar registrado na Holanda, ganhou atenção internacional. O cruzeiro partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril com 114 pessoas a bordo, visando a Antártida e ilhas remotas do Atlântico Sul. Em abril, dois passageiros morreram em Santa Helena, após embarcarem com o restante do grupo.

Até agora, cinco casos de hantavírus foram confirmados entre os passageiros a bordo, com três mortes associadas ao surto. Um homem de 70 anos morreu após adoecer durante a travessia; uma mulher, esposa dele, faleceu dois dias após desembarcar. Um segundo caso confirmado ocorreu em um passageiro evacuado para a África do Sul, que permanece internado em UTI.

O que se sabe sobre o desfecho do caso envolve a disseminação possível entre pessoas a bordo ou a partir de roedores. Em 24 de abril, passageiros que desembarcaram em Santa Helena foram avisados de exposição ao hantavírus, o que levanta a possibilidade de viajarem com a doença para outros destinos. A investigação tenta esclarecer como o vírus chegou ao navio.

O que é hantavírus e como ele se dissemina

O hantavírus costuma ser transmitido de roedores para pessoas, mas a cepa Andes pode ter transmissão entre humanos. Os primeiros sintomas podem lembrar gripe, evoluindo para problemas respiratórios e, em alguns casos, insuficiência respiratória. A confirmação de infecção pode ocorrer de uma a oito semanas após a exposição.

A OMS aponta que o risco global não deve ser considerado alto no momento, mesmo diante do surto em um navio. Não há tratamento específico, apenas suporte clínico; estudos com antivirais mostraram resultados limitados. A taxa de mortalidade para hantavírus na região das Américas é alta, podendo chegar a 50%.

A resposta global e o contexto político

A gestão do surto ficou marcada pela diversidade de informações entre a OMS, a empresa Oceanwide Expeditions e parceiros, o que gerou dúvidas sobre a veracidade das informações. Nos Estados Unidos, a saída da OMS elevou dificuldades de cooperação internacional na investigação. O CDC perdeu acesso direto a bases de dados globais de vigilância.

A OMS enfatiza que não se trata de uma pandemia nem de risco imediato elevado para a saúde pública. O foco está em atender pacientes, manter a segurança dos demais passageiros e evitar a propagação adicional do vírus. A possível quarentena dos vacinados pode durar até oito semanas desde a transmissão ativa, conforme autoridades envolvidas.

Monitoramento e perspectivas

Autoridades de saúde dos EUA acompanham os passageiros retornados do cruzeiro, com vigilância em cinco estados. As equipes indicam que a transmissão direta é improvável, mas podem ocorrer exposições em ambientes fechados ou com contato prolongado. O vírus permanece raro e a observação continua para evitar novos casos.

O que está em jogo é a capacidade de resposta a surtos em navios de cruzeiro, sobretudo em cenários de menor cooperação internacional. A OMS reforça que, mesmo com complexidade logístico, as medidas de atendimento e contenção devem permanecer prioritárias para evitar novas contaminações.

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