- A pesquisa da Uesb alerta para aumento de infecções relacionadas à assistência à saúde e resistência bacteriana, com risco crescente em hospitais brasileiros e no exterior.
- Até 2050, podem ocorrer cerca de 3,5 milhões de mortes por ano associadas a essas infecções, taxa maior do que HIV/AIDS e DST em 2021.
- A mortalidade é de duas a três vezes maior em pacientes com microrganismos resistentes; as superbactérias elevam internação e custos dos sistemas de saúde.
- Em estudo com 1.601 pacientes e mais de 2.300 amostras, a pneumonia associada à ventilação mecânica foi a principal infecção, com a Pseudomonas aeruginosa como principal agente.
- A necessidade de prevenção, higiene das mãos e uso racional de antibióticos, além de equipes especializadas, é defendida para reduzir riscos e melhorar a qualidade do cuidado.
A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), campus Jequié, alerta para o avanço das infecções relacionadas à assistência à saúde IRAS e a resistência bacteriana. O estudo, realizado entre 2019 e 2024, traz dados de um hospital público do Nordeste brasileiro.
A pesquisa avalia 1.601 pacientes e mais de 2.300 amostras, evidenciando aumento de infecções hospitalares e maior mortalidade associada a microrganismos resistentes. O período analisado inclui a pandemia de Covid-19, que influenciou o uso de antibióticos.
A pneumonia associada à ventilação mecânica foi a principal infecção identificada, respondendo por mais de um terço dos casos. A bactéria Pseudomonas aeruginosa foi apontada como o principal agente envolvido pela sua resistência a múltiplos antibióticos.
A mortalidade entre pacientes com microrganismos resistentes é 2 a 3 vezes maior do que entre aqueles com infecções sensíveis. A pesquisa também aponta maior tempo de internação e aumento de custos no sistema de saúde.
As pesquisadoras destacam que o uso excessivo de antibióticos durante a pandemia acelerou o surgimento de superbactérias. Entre os determinantes de pior desfecho estão idade avançada, internação em UTI e infecções da corrente sanguínea.
O estudo sugere que a solução passa pela prevenção, higiene das mãos e uso racional de medicamentos. Segundo a professora Gisele Lemos, o modelo de controle de infecções no Brasil permanece insuficiente diante do desafio.
Para Karla Rodrigues, o objetivo é transformar ciência em melhoria prática nos hospitais, fortalecendo qualidade assistencial e cuidado seguro. As pesquisadoras defendem investimentos em equipes de gestão antibiótica.
Este texto foi publicado originalmente pela UESB em 29 de abril de 2026. O conteúdo é livre para republicação, desde que citada a fonte.
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