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Holanda, terceiro maior exportador de alimentos, apesar de território pequeno

Ecossistema de Wageningen sustenta estufas de alta tecnologia na Holanda, elevando o país a terceiro maior exportador de alimentos, mas o uso de energia é gargalo

O professor Leo Marcelis é chefe do grupo de Horticultura e Fisiologia Vegetal da Universidade de Wageningen
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  • Holanda é o terceiro maior exportador mundial de alimentos em valor, mesmo com um território de pouco mais de 41 mil quilômetros quadrados, 70 vezes menor que a Argentina.
  • No campus da Wageningen University and Research (WUR), estufas de alta tecnologia utilizam sensores e inteligência artificial para monitorar variáveis e aumentar a produtividade, chegando a até cinco vezes mais que estufas tradicionais.
  • O ecossistema de inovação envolve universidade, empresas e agricultores, com cooperação para transferir resultados de pesquisa e manter o setor agroalimentar competitivo.
  • O principal gargalo é o consumo de energia; pesquisas buscam reduzir esse uso, explorar fazendas verticais e fontes renováveis, além de reduzir emissões de metano na pecuária por meio de IA e melhoramento genético.
  • As inovações podem ser adaptadas à América Latina, especialmente em hidroponia e iluminação adicional, enfatizando que a adaptação deve levar em conta o contexto local e não uma cópia direta.

Centenas de pés de tomate crescem sob uma estrutura de vidro que não é comum. Aqui, sensores monitoram desde níveis de gás até a cor da luz, enviando dados a computadores que rodam algoritmos com inteligência artificial. O resultado é uma produção significativamente maior do que em estufas simples.

A pesquisa acontece no campus da Universidade de Wageningen, na Holanda, dentro do Food Valley, um polo de inovação em produção de alimentos. O país, com pouco mais de 41 000 km², é hoje o terceiro maior exportador mundial de alimentos em valor, entre megafrutícolas, laticínios e flores.

A holandesa Wageningen é referência global em ciência agrícola. Especialistas destacam como o ecossistema de cooperação entre universidade, empresas, cooperativas e startups sustenta a oferta de tecnologias que ajudam agricultores a aumentar a produtividade e a eficiência, mantendo custos sob controle.

As estufas de alta tecnologia podem render até cinco vezes mais por metro quadrado por ano do que estruturas convencionais. O uso de substratos, irrigação quase completa com reuso de água e sensores que ajustam condições como temperatura, CO₂ e iluminação são exemplos centrais.

No ecossistema local, há integração entre pesquisa acadêmica e indústria. Empresas como Unilever e FrieslandCampina mantêm departamentos de pesquisa no campus, facilitando a transferência de resultados para o setor agrícola e para as cooperativas que abastecem o mercado.

Entre as inovações, destacam-se sistemas de iluminação com LEDs de cores específicas para modular a produção de pigmentos e açúcares, bem como algoritmos de IA para prever estratégias de manejo e, em alguns casos, controlar automaticamente o clima das estufas. Esses avanços reduzem desperdícios e elevam a eficiência.

Especialistas apontam que o principal gargalo é o consumo de energia. A produção sob iluminação artificial e aquecimento demanda grandes volumes de energia, o que impulsiona pesquisas para reduzir esse consumo e buscar fontes renováveis, sem comprometer a produtividade.

Outros focos incluem a redução de emissões na pecuária por meio de seleção genética e uso de IA para monitorar bem-estar animal. Técnicas de visão computacional ajudam a detectar comportamentos e possíveis problemas, contribuindo para melhores padrões de bem-estar.

A ideia é adaptar as inovações de Wageningen a diferentes contextos, especialmente na América Latina. Embora haja potencial para hidroponia e uso de iluminação adicional, as soluções precisam considerar clima, disponibilidade de água e infraestruturas locais.

Cientistas brasileiros e mexicanos que atuam no campus ressaltam que a transferência de tecnologia deve ser inteligente e contextualizada. As adaptações locais visam ganhos de eficiência, resiliência e sustentabilidade agrícola sem copiar soluções na íntegra.

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