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Mãe abandonada com filha com zika refaz a vida: cada dia é uma vitória

Década após o nascimento, mãe celebra indenização e nova família que viabilizam os cuidados de Sophia, criança com microcefalia associada à zika

Sophia nasceu no auge da epidemia de Zika, em 30 de janeiro de 2016
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  • Dez anos depois do nascimento de Sophia, mãe Ianka recebeu indenização de R$ 50 mil e pensão vitalícia equivalente ao teto da Previdência, ajudando no cuidado da filha com síndrome congênita causada pela zika.
  • A família ganhou uma moradia pelo programa Minha Casa, Minha Vida e passa por reformas para ampliar o quarto e viabilizar fisioterapia em casa.
  • Sophia, hoje com 10 anos, depende de uma sonda para alimentação devido a vômitos, refluxo e broncoaspiração; realizou cirurgia de gastrostomia há dois anos.
  • Ianka se casou com Vitor, que adotou Sophia, e nasceram Ester, em dezembro de 2024, e Efraim, em 30 de abril de 2026; a dupla ajuda nos cuidados diários.
  • Apesar dos avanços, a mãe aponta que o zika continua sendo um temor constante e que há outras mães cujos benefícios foram negados; Sophia continua sob acompanhamento do Ipesq.

Oitavo ano após o nascimento de Sophia, a BBC News Brasil revisitou Campina Grande, Paraíba, para entender como mãe e filha enfrentam as consequências da síndrome congênita associada ao Zika. A daqui cada dia é uma vitória, segundo Ianka Mikaelle, 28 anos.

Sophia nasceu em 30 de janeiro de 2016, no auge da epidemia. A bebê tem microcefalia provocada pelo vírus transmitido pelo Aedes aegypti. A cirurgia de gastrostomia, os vômitos recorrentes e a broncoaspiração marcaram os primeiros anos da família.

Ianka se tornou mãe de Sophia aos 17 anos. O pai da menina deixou o lar pouco depois do nascimento. Hoje, Ianka vive com o marido Vitor Francisco de Lima, 27, que adotou Sophia, e com Ester, 1 ano, além de Efraim, que nasceu em 30 de abril deste ano.

Vitor conheceu Ianka pela internet em 2020; mudou-se de São Paulo para Campina Grande para construir uma família. De volta à cidade, ele passou a cuidar da filha desde o começo, ajudando nos cuidados diários e na alimentação.

A família recebeu uma mudança financeira importante com o PL 6064/23, que prevê indenização de R$ 50 mil e pensão vitalícia para famílias de crianças com Zika. Ianka recebeu a indenização em dezembro e passou a receber a pensão mensal de teto da Previdência.

Com o apoio financeiro, o casal investiu em saúde e moradia. Eles montaram um pequeno negócio de bolos e doces, e reformam a casa para ampliar o quarto da família e viabilizar fisioterapia em casa para Sophia.

Sophia continua acompanhada pelo Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto (Ipesq). A colocação da escoliose e a necessidade de transporte diário exigem deslocamentos que passam a ser desafiadores pela dor, tornando a locomoção uma prioridade.

A casa da prefeitura, inserida no programa Minha Casa, Minha Vida, acolhe a família desde o nascimento de Sophia. A reforma em andamento visa melhorar o espaço de convivência e facilitar o atendimento médico da menina.

Apesar das vitórias, Ianka observa que várias mães de Campina Grande com casos semelhantes tiveram o benefício negado. O INSS informa que 1.889 famílias já receberam indenização, 846 aguardam decisão e 1.850 recebem pensão vitalícia.

Ao longo de 10 anos, a vida de Sophia ganhou momentos de alegria. Ester chega para animar a casa: Sophia sorri quando a irmã brinca ao redor e responde às interações com o afeto dos pais.

Ianka reforça que, apesar das dificuldades diárias, a família mantém a rotina com cuidado para que Sophia tenha qualidade de vida. A mãe afirma ter encontrado motivação para seguir adiante, com o apoio de Vitor e as crianças.

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