- Em 2024, a região amazônica viveu uma das secas mais graves já registradas, com o nível do rio Amazonas em Manaus chegando a 12,68 metros, menor marca desde 1902.
- Cientistas usaram dendrocronologia e sinais de oxigênio em anéis de crescimento para entender o clima, revelando variações extremas de chuva nas últimas quatro décadas.
- Os resultados apontam aumento de 15–22% nas chuvas durante a estação úmida e queda de 5,8–13,5% na estação seca.
- O estudo comparou florestas de várzeas, igapós e áreas de terra firme, destacando como a sazonalidade de chuvas está mais marcada.
- Observações de eventos extremos recentes, como enchentes intensas e secas prolongadas, sugerem que mudanças no ciclo hidrológico coincidem com pressão humana, como desmatamento e degradação florestal.
O que os anéis das árvores revelam sobre as mudanças climáticas na Amazônia. Cientistas britânicos e do INPA, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, utilizaram a dendrocronologia para entender o clima da região. O estudo analisa anéis de crescimento de árvores para reconstruir variações climáticas nas últimas quatro décadas.
A pesquisa avaliou o conteúdo de oxigênio nos anéis de Cedrela odorata e Macrolobium acaciifolium. Esses sinais isotópicos refletem a quantidade de chuva recebida pela floresta. Observou-se aumento de 15 a 22% na pluviosidade durante a estação chuvosa desde 1980, e queda de 5,8 a 13,5% na estação seca.
Os cientistas coletaram amostras de florestas ribeirinhas, conhecidas como várzeias e igapós, além de árvores de áreas secas. O objetivo foi comparar árvores que crescem em diferentes regimes hídricos e entender a dinâmica da chuva ao longo do tempo.
Resultados principais
Os pesquisadores destacam que as variações de chuva captadas pelos isótopos indicam uma intensificação do ciclo hidrológico na Amazônia, com temporadas chuvosas mais áridas e períodos de seca mais prolongados. A mudança de padrões parece variar por região.
As informações apontam que, nas últimas décadas, regiões ao norte apresentaram esta intensificação de chuvas, enquanto o sul registrou secas mais longas. Já o centro da Amazônia sofre com o aumento de ambos os extremos, em velocidades diferentes.
Jochen Schöngart, da INPA, mencionou que eventos extremos recentes fortalecem a leitura de que a sazonalidade hídrica está se tornando mais pronunciada. A maior parte das secas severas ocorreu entre 2023 e 2024, conforme o levantamento.
Além disso, o estudo ressalta a dificuldade de separar impactos naturais de variações induzidas por atividades humanas nas mudanças dos ciclos hidrológicos, incluindo desmatamento, degradação e queimadas intensas em anos de seca extrema.
Entre na conversa da comunidade