- El Niño volta em 2026, com probabilidade superior a 60% entre maio e julho e chegando a 90% na segunda metade do ano, segundo a NOAA.
- No Nordeste, o fenômeno tende a reduzir chuvas e aumentar as temperaturas, ampliando a estiagem no Semiárido.
- Impactos previstos incluem risco para a agricultura de sequeiro (milho e feijão) e maior pressão sobre a gestão de açudes e reservatórios por evaporação.
- O Planalto da Borborema atua como barreira, mantendo o Sertão mais seco em relação ao litoral.
- Cemaden alerta para monitoramento contínuo, já que o El Niño pode persistir até 2027 e influenciar temperaturas e a dinâmica entre o Atlântico Tropical.
O El Niño voltou ao radar do Nordeste em 2026, com projeções de intensidade que preocupam produtores e autoridades. O fenômeno deve reduzir chuvas e elevar temperaturas, ampliando os desafios do agronegócio e do abastecimento na região.
Segundo a NOAA, a probabilidade de formação supera 60% entre maio e julho, chegando a 90% na segunda metade de 2026. A confirmação tempranha levou especialistas a reforçarem programas de monitoramento e planejamento.
A região enfrenta naturalmente o período de estiagem, o que amplia o impacto potencial. Em março, o número de municípios em seca severa subiu de 70 para 248, acentuando a vulnerabilidade hídrica.
O que está acontecendo
O El Niño envolve o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial. Esse aquecimento reduz os ventos alísios, desloca a Circulação de Walker e favorece subsidência sobre o Nordeste, dificultando a formação de nuvens de chuva.
A ZCIT, que traz umidade ao norte do Nordeste, também é deslocada, prejudicando a distribuição de chuva no interior. O resultado é maior ar seco e menos chuvas durante o segundo semestre de 2026.
Por que isso ocorre
Especialistas apontam que o bloqueio atmosférico criado pelo fenômeno é responsável pela seca. O estudo do professor José de Araújo Costa (IFAL) explica a dinâmica entre Pacífico, Atlântico e a circulação de ar regional.
Além do aspecto climático, há influência da interação entre temperaturas da superfície do mar e o Atlântico Tropical, que pode agravar ou atenuar os efeitos da seca, conforme o cenário regional.
Impactos no Semiárido
Culturas de sequeiro, como milho e feijão, devem sentir forte impacto pela irregularidade pluviométrica. Riscos de perdas em lavouras dependentes da chuva aumentam a pressão econômica para famílias no campo.
A gestão de barragens e reservatórios exige manejo mais rigoroso. Menos chuvas aliadas a ondas de calor elevadas elevam a evaporação e comprometem o abastecimento humano e a dessedentação animal.
As Barreiras Geográficas, como o Planalto da Borborema, mantêm o litoral como principal receptor de umidade, deixando o sertão ainda mais seco diante do regime de ar seco.
Perspectivas e ações
Especialistas do Cemaden destacam a necessidade de monitoramento contínuo, pois o El Niño pode persistir até 2027. A atuação envolve uso de dados de curto e médio prazo para planejamento preventivo.
As autoridades ressaltam a importância de estratégias de adaptação, com foco em manejo hídrico, reserva de água e apoio à agricultura familiar. O objetivo é mitigar impactos ambientais e econômicos nos próximos meses.
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