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Epidemiologista que acompanhou hantavírus diz que não adianta ceder ao pânico

Epidemiologista alerta para pânico infundado com hantavírus; transmissão entre humanos é rara e biossegurança evita surtos, mesmo em navio

A origem do surto de hantavírus que atingiu o cruzeiro MV Hondius ainda é desconhecida.
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  • O epidemiologista Edmundo Larrieu, ligado ao Ministério da Saúde da província de Río Negro, estuda o hantavírus Andes Sul, relacionado ao surto no cruzeiro MV Hondius.
  • Em entrevista à RFI, ele diz que o pânico é irracional; a transmissão entre humanos é excepcional e protocolos de biossegurança ajudam a interromper a propagação.
  • Em 1995, Bariloche viveu o primeiro grande surto com transmissão entre humanos; desde então houve avanços nos protocolos, com exceção de um surto de 34 pessoas em Chubut por falta de isolamento.
  • Hoje, o risco de contágio em hospitais é baixo; médicos utilizam máscaras adequadas e pacientes ficam em isolamento, com rastreamento de contatos próximo.
  • O hantavírus Andes Sul vive naturalmente no roedor Oligoryzomys longicaudatus; não é possível erradicar o vírus, e a transmissão roedor-homem é rara, mas o pânico pode causar danos sociais.

O epidemiologista argentino Edmundo Larrieu, especialista em hantavírus, analisa o surto do cruzeiro MV Hondius no contexto histórico da doença. Ele atua no setor de Zoonoses do Ministério da Saúde da província de Río Negro, na Patagônia, e pesquisa a cepa Andes Sul, associada a casos em navios de turismo. O surto recente reacende a lembrança de eventos passados na Argentina, como o grande episódio de 1995 em Bariloche.

Larrieu afirma que o pânico em torno do hantavírus é algo a ser enfrentado com dados. Segundo ele, apesar da letalidade, a transmissão entre humanos continua excepcional, e protocolos de biossegurança, incluindo isolamento de contatos e uso de máscaras, são eficazes para interromper a cadeia de transmissão.

Na avaliação dele, o hantavírus ocorre em várias províncias argentinas, mas apenas a cepa Andes Sul tem transmissão entre humanos. O vírus circula na cordilheira andino-patagônica, desde Neuquén até Santa Cruz e, recentemente, inclui a Terra do Fogo. O primeiro caso costuma envolver roedores; após confirmação laboratorial, surgem novos casos por contato próximo entre pessoas.

Contexto histórico e transmissão

Em 1995, Bariloche registrou o primeiro grande surto com transmissão entre humanos, o que derrubou a crença de que o hantavírus não se espalhava entre pessoas. A época exigia ajustes rápidos nos protocolos de biossegurança, com maior proteção a médicos e pacientes em isolamento. Em casos subsequentes, as epidemias entre humanos ficaram restritas a ocorrências isoladas.

O primeiro caso de um novo surto no navio pode ter envolvido contato com roedor fora ou a bordo. A orientação atual prioriza rastreamento de contatos próximos, isolamento e monitoramento de quem conviviu com o doente. A experiência de 1995 ajudou a consolidar medidas que diminuem o risco de transmissão hospitalar.

Medidas de biossegurança e futuro

A prática médica evoluiu desde o século passado: máscaras adequadas e salas de isolamento tornam a transmissão entre profissionais de saúde praticamente improvável. O risco em hospitais é mínimo quando as equipes seguem protocolos de biossegurança e o isolamento de pacientes é respeitado.

Segundo o especialista, o surto tende a terminar com o isolamento adequado e o monitoramento de incubação de 15 a 20 dias. A identificação de contatos próximos é crucial para interromper o ciclo de transmissão. O manejo atual não busca erradicar o vírus, pois a presença do hantavírus no roedor é natural à região.

Mesmo com a presença do vírus entre roedores silvestres, os casos humanos são raros, mas graves, com taxa de mortalidade elevada. O desafio permanece na comunicação clara para evitar pânico e incentivar práticas preventivas que reduzem tanto a transmissão roedor-humano quanto a transmissão humana-humana.

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