- Estudo publicado em 6 de maio no European Heart Journal associa consumo elevado de ultraprocessados a até 19% mais risco de doenças cardíacas, 13% maior risco de fibrilação atrial e 65% maior risco de morte cardiovascular.
- O uso desses alimentos já substitui grande parte das dietas tradicionais em vários países europeus, com 61% das calorias na Holanda e 54% no Reino Unido.
- Em Itália, Portugal e Espanha, os ultraprocessados representam 25%, 22% e 18% das calorias, respectivamente.
- No Brasil, esses produtos respondem por cerca de 23% das calorias consumidas pela população.
- Pesquisadores recomendam que médicos perguntem sobre ultraprocessados em consultas e que diretrizes alimentares considerem o grau de processamento, além de defender políticas de rotulagem mais clara e campanhas de conscientização.
O estudo, publicado em 6 de maio na European Heart Journal, associa o consumo elevado de ultraprocessados a maior risco de doenças cardíacas e morte. Pesquisadores da Sociedade Europeia de Cardiologia sintetizam dados de uma década para embasar a relação.
Segundo os autores, quem consome mais desses alimentos pode ter até 19% de risco acrescido de doenças cardíacas, 13% a mais de fibrilação atrial e 65% de probabilidade de morte cardiovascular. Obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão aparecem como fatores intermediários.
Além de contribuir para o ganho de peso, o alto processamento industrial envolve aditivos e estruturas alimentares alteradas que podem provocar inflamação e disfunção metabólica. Médicos são convidados a discutir ultraprocessados em consultas com pacientes de risco.
O que são ultraprocessados
Esses itens passam por modificação industrial intensa e combinam ingredientes baratos com aditivos. Exemplos comuns no Brasil são refrigerantes, salgadinhos, macarrão instantâneo, embutidos e refeições congeladas.
Os autores destacam que o problema não é apenas o açúcar, o sal ou a gordura, mas o processamento em si. Aditivos, contaminants e alterações na microbiota podem favorecer a ingestão excessiva.
Implicações para a prática clínica
A pesquisa recomenda que médicos perguntem mais sobre consumo de ultraprocessados em consultas habituais, especialmente para pacientes com risco ou doenças cardíacas. As diretrizes alimentares atuais costumam valorar apenas nutrientes.
Especialistas defendem rotulagem mais clara e campanhas de conscientização sobre riscos associados aos ultraprocessados. Novos estudos são necessários para confirmar impactos da redução de consumo na saúde cardiovascular.
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