- Sírio-Libanês fechou parceria com Memorial Sloan Kettering, de Nova York, para ampliar a participação de pacientes do SUS em estudos clínicos de tratamentos inovadores.
- O projeto, de dois anos, usará biópsia líquida (DNA tumoral circulante) e análise de dados genômicos com apoio de inteligência artificial para combinar perfis de pacientes com critérios de estudos.
- Meta é reduzir a lacuna de pesquisa clínica no Brasil, onde, em 2024, foram 254 ensaios iniciados, bem abaixo de países como Estados Unidos e Polônia.
- Cinco hospitais públicos oncológicos atuarão como polos regionais de triagem e encaminhamento; estima-se cerca de mil pacientes por ano poderiam ser avaliados, com 5% elegíveis para estudos (aproximadamente 800 pacientes).
- Convênios já foram firmados com o Hospital do Câncer de Cascavel e com o Hospital Regional Rota dos Bandeirantes; a inclusão de pacientes deve começar em maio.
O Hospital Sírio-Libanês fechou uma parceria com o Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK), de Nova York, para ampliar a participação de pacientes com câncer do SUS em estudos clínicos com tratamentos inovadores. O projeto terá duração de dois anos e prevê exames modernos, como biópsia líquida, além de análise genômica e uso de inteligência artificial para cruzar características dos pacientes com critérios de estudos.
A iniciativa busca superar a baixa participação brasileira em pesquisas clínicas. Dados de 2024 da Interfarma mostram que foram iniciados 254 ensaios no Brasil, muito abaixo de Estados Unidos (3.576) e de países como Polônia, Egito e Turquia. O MSK participou de cerca de 1,8 mil estudos no ano anterior.
Além disso, o Brasil enfrenta limitações no acesso a testes genômicos que identificam biomarcadores relevantes para elegibilidade em estudos. Em muitos casos, pacientes com doença avançada não conseguem confirmar essas alterações, o que restringe a inclusão em pesquisas promissoras.
Objetivo e metodologia da parceria
O trabalho no Sírio-Libanês envolve a oncologia de precisão, com foco em biomarcadores tumorais. Em pacientes metastáticos, terapias-alvo podem aumentar a sobrevida, segundo os médicos do hospital.
O projeto pretende reproduzir no Brasil o modelo do MSK, que faz triagem ativamente para identificar pacientes elegíveis. A ideia é oferecer testes para detectar alterações tumorais e encaminhar rapidamente os pacientes para estudos clínicos.
Rede de hospitais e funcionamento
Cinco hospitais públicos oncológicos serão polos regionais de triagem, testagem e encaminhamento. A previsão é atender cerca de 16 mil pacientes por ano, com estimativa de 5% elegíveis para estudos clínicos, o que corresponde a cerca de 800 pacientes.
Os convênios já existem com o Hospital do Câncer de Cascavel (Uopeccan), no Paraná, e com o Hospital Regional Rota dos Bandeirantes, em Barueri, São Paulo. Os demais três nomes não foram divulgados. A inclusão de pacientes deve começar em maio.
Triagem e exames envolvidos
A triagem contará com enfermeiros para avaliar pacientes e organizar a realização do DNA tumoral circulante (ctDNA), modalidade de biópsia líquida que identifica marcadores genéticos no sangue. Essas informações ajudarão a definir a elegibilidade para estudos clínicos de tratamentos inovadores.
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