- A profundidade do Buraco do Dragão é de 301,19 metros abaixo do nível do mar, tornando-o o buraco azul mais profundo entre 2016 e 2024.
- A água é oxigenada apenas nos 0 a 80 metros; a partir de 100 metros o oxigênio dissolve-se, formando uma zona anóxica que vai até o leito rochoso.
- O formato é de cone invertido, com o fundo desviando-se 118 metros em relação à entrada, sugerindo cavernas inexploradas nas paredes.
- No interior sem oxigênio, a vida é dominateda por bactérias anaeróbicas e Archaea; já foram identificados mais de 1.700 tipos virais, e cerca de 22% das bactérias isoladas são novas para a ciência.
- O local funciona como laboratório natural para entender paleoclima e variações do nível do mar; evidências sugerem cavernas laterais ainda mais profundas não alcançadas pelos robôs.
O Buraco do Dragão, no Mar do Sul da China, alcançou profundidade de 301,19 metros abaixo do nível do mar, segundo medições de robôs submarinos. O local, conhecido como o maior buraco azul do planeta entre 2016 e 2024, apresenta um ambiente de oxigênio ausente na maior parte de seu volume, com cavernas inexploradas nas paredes calcárias.
A profundidade e a geometria da caverna formam um cone invertido, com o fundo desviando-se 118 metros lateralmente da entrada. Essas características indicam fraturas e a possibilidade de estruturas ainda não exploradas em camadas rochosas profundas.
A zona de oxigênio, presente apenas nos primeiros 0 a 80 metros, abriga espécies de peixes e recifes. A partir de 100 metros, o oxigênio dissolve-se quase por completo, gerando uma zona anóxica que se estende até o leito rochoso a 301 metros. No patamar profundo, nada de respiração compatível com a vida marinha tradicional.
Essa separação química cria um ecossistema isolado, no qual bactérias aeróbicas não sobrevivem e a matéria que afunda não passa por decomposição acelerada. O Buraco do Dragão funciona como um vasto laboratório natural para o estudo do paleoclima e das variações do nível do mar ao longo de milênios.
Entre as formas de vida presentes, destacam-se bactérias anaeróbicas e Archaea, que utilizam metabolismo baseado na oxidação de enxofre e metano. Novas espécies foram identificadas em sequenciamentos genéticos, incluindo centenas de microrganismos ainda não descritos pela ciência. Ao lado disso, mais de 1.700 tipos de vírus e bacteriófagos foram detectados em amostras coletadas no ambiente extremo.
Ainda não se sabe qual é a extensão total do abismo: perfis sísmicos sugerem que o buraco perfura a crosta de forma mais ampla do que indicam as medições diretas. A inclinação acentuada aponta para cavernas laterais inexploradas, isoladas da luz e do oceano aberto há milhares de anos.
O governo e pesquisadores consideram o Buraco do Dragão um modelo vivo de preservação ambiental. Com a tendência de queda gradual do oxigênio na biosfera oceânica mundial, o local pode oferecer dados valiosos sobre o comportamento de ecossistemas sob esgotamento de oxigênio, além de ampliar o conhecimento sobre a evolução da vida em condições extremas.
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