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Crise global da areia: consumo supera a reposição

Crise global de areia: projeto em Malé amplia território, destruindo recifes e habitats, e evidencia falhas de governança diante da demanda crescente

A dredger offloads sand at a reclamation project in Manila Bay, the Philippines.
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  • Um relatório da ONU alerta que a demanda global por areia é de cerca de 50 bilhões de toneladas por ano e está maior do que a capacidade de reposição, ameaçando ecossistemas e meios de subsistência.
  • Malé, capital das Maldivas, lançou um projeto de retomada de terra que retirou areia de outras áreas do arquipélago para ampliar o território, causando danos a recifes e áreas protegidas.
  • O plano Gulhifalhu exigiu 24,5 milhões de metros cúbicos de areia do atol de Malé, resultando em danos ambientais irreversíveis em cerca de 200 hectares de recife.
  • Em outros locais, a extração de areia devastou comunidades pesqueiras: 155 milhões de metros cúbicos para um aeroporto nas Filipinas e 22 milhões de metros cúbicos em Sulawesi, na Indonésia.
  • A UNEP recomenda mudanças de governança, melhor uso de dados, monitoramento mais eficiente e maior transparência para reduzir impactos ambientais e sociais da extração de areia.

Em meio a uma crise global do manejo de areia, o recurso tem sido extraído mais rápido do que pode ser reposto, segundo um relatório da ONU. A demanda global por areia cresce com desenvolvimento urbano e indústria, chegando a 50 bilhões de toneladas por ano.

O estudo alerta que a extração desmedida ameaça meios de subsistência, ecossistemas e a própria estrutura natural. Pascal Peduzzi, responsável pelo banco de dados da UNEP, destaca o papel da areia como defesa contra a elevação do nível do mar, ressurgências de tempestades e salinização de aquíferos.

A SITUAÇÃO GLOBAL PUBLICA O CONTEXTO

Para a ONU, a areia é usada tanto em sua forma inorgânica quanto na natural, com competições entre usos diversos. A produção ocorre para obras, pavimentos e construção, além de componentes de tecnologia e energia. O relatório chama atenção para impactos chamados de “habitat” e serviços ecossistêmicos.

MALÉ, MALDIVAS E O DESVIO DE AREIA

Em Gulhifalhu, na ilha de Malé, o governo das Maldivas encomendou, em 2019, a dragagem de areia para expandir a lagoa em 192 hectares, com mil metros cúbicos estimados de areia. A obra fica perto de Malé, capital com alta densidade populacional.

Relatório da UNEP aponta danos ambientais irreversíveis por parte da dragagem: destruição de recifes de coral e áreas de proteção marinha, além de deslocamento de habitats de peixes, tartarugas e aves. Cerca de metade das empresas de dragagem atuaria em áreas protegidas.

Impactos socioeconômicos aparecem em outros países. Na Filipinas, a dragagem de areia para um aeroporto afetou comunidades pesqueiras, com recuo de peixes após a remoção do leito de Manila Bay. Em Sulawesi, Indonésia, a extração em áreas de pesca reduziu rendimentos locais em até 80%.

SOLUÇÕES E RISCO PARA O FUTURO

O relatório defende revisão de governança, com dados melhores, mapeamento e monitoramento de áreas de valor ecológico. Transparência e aderência a regras ambientais são apontadas como pilares para reduzir danos.

As Maldivas, com mais de 80% de seu território abaixo de 1 metro do nível do mar, estão entre os países mais vulneráveis às mudanças climáticas. Mesmo com medidas de contenção, o futuro de Malé depende de decisões sobre uso de areia e expansão de ilhas.

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