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Desaparecimento de polinizadores pode estar ligado à desnutrição, aponta estudo

Estudo no Nepal liga queda de polinizadores à desnutrição rural, projetando perda de ingestão de vitamina A e folato de até sete por cento até 2030

Abelhas: à medida que a diversidade e a quantidade de insetos diminui nas lavouras, cai também a qualidade da alimentação e a renda das famílias.
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  • Estudo publicado na revista Nature acompanhou dez vilarejos agrícolas no Nepal durante um ano e associou o declínio de polinizadores à desnutrição local.
  • Polinizadores silvestres representaram cerca de quarenta e quatro por cento da renda agrícola e mais de vinte por cento da ingestão de nutrientes essenciais, como vitamina A, vitamina E e folato.
  • À medida que a diversidade e a quantidade de insetos caem, a oferta de vegetais, frutas e leguminosas diminui, impactando a alimentação e a renda das famílias; mais da metade das crianças avaliadas apresentava baixa estatura para a idade.
  • Se mantidas as práticas agrícolas atuais, a ingestão de vitamina A e folato pode cair até dois mil e trinta, com redução estimada de até sete por cento até quarenta e trinta.
  • Medidas simples, como plantio de flores nativas, conservar abelhas silvestres e reduzir pesticidas, poderiam elevar a renda agrícola em até trinta por cento e melhorar a ingestão de vitamina A e folato.

A redução de insetos polinizadores já afeta a alimentação e a renda de comunidades rurais que vivem da agricultura familiar. Um estudo publicado na Nature, na última terça, avaliou pela primeira vez os impactos diretos da perda de polinizadores na nutrição humana.

Ao acompanhar dez vilarejos agrícolas no Nepal ao longo de um ano, pesquisadores monitoraram a presença de polinizadores nas lavouras a cada duas semanas e cruzaram os dados com padrões de dieta e desnutrição. O objetivo foi compreender como a diminuição desses insetos impacta micronutrientes.

Impacto na renda e na dieta

Os polinizadores silvestres contribuíram com cerca de 44% da renda agrícola local e com mais de 20% da ingestão de nutrientes essenciais, como vitamina A, vitamina E e folato. A redução de insetos correlacionou-se com pior alimentação e menor renda.

Mais da metade das crianças avaliadas apresentava baixa estatura para a idade, associada à deficiência nutricional. A escassez parece ligada à menor oferta de vegetais, frutas e leguminosas dependentes de polinização animal.

Projeções futuras e caminhos

Se mantidas as atuais práticas agrícolas, a ingestão de vitamina A e folato poderia cair ainda mais até 2030, elevando riscos de problemas de visão, gestação e malformações. A pesquisa aponta correções simples para mitigar o problema.

Entre as medidas, destacam-se o plantio de flores nativas perto das lavouras, a conservação de abelhas silvestres e a redução do uso de pesticidas. Modelos indicam possível aumento de até 30% na renda agrícola com essas ações.

Conexão entre biodiversidade e alimentação

Os autores ressaltam que biodiversidade e segurança alimentar caminham juntas. A manutenção de polinizadores reforça a produtividade de várias culturas-chave, ajudando a sustentar milhões de pessoas que dependem da agricultura familiar.

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