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Doença hepática por álcool avança no Brasil, com mortes mais altas no Norte

Doença hepática alcoólica avança no Brasil, com maior crescimento de internações e óbitos no Norte, aponta estudo da Universidade Federal do Triângulo Mineiro com dados do Sistema Único de Saúde (2000 a 2022)

A doença hepática associada ao consumo de álcool tem avançado no Brasil e provocado aumento contínuo de internações e mortes nas últimas duas décadas.
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  • Estudo da UFTM, baseado em dados do SUS entre 2000 e 2022, aponta aumento da doença hepática associada ao álcool no Brasil, com 344 mil internações e 214 mil mortes.
  • Norte registrou o maior crescimento anual de internações (2,57%) e de mortalidade (4,95%), seguido pelo Nordeste em óbitos.
  • Sul apresenta taxas acima da média nacional de internação (10,5 por cem mil) e de mortalidade (5,6 por cem mil).
  • Em 2021, doenças do fígado foram a principal causa de mortes relacionadas ao álcool no país; diferenças regionais refletem padrões culturais e acesso à saúde.
  • Entre os casos, 82% das internações e 88% das mortes ocorreram entre homens; a maioria dos internados tem 40 a 59 anos.

A doença hepática associada ao consumo de álcool avança no Brasil, com aumento contínuo de internações e óbitos entre 2000 e 2022, segundo estudo da UFTM com dados do SUS. Foram registradas 344 mil internações e 214 mil mortes por DHA no país, que abrange esteatose, hepatite alcoólica e cirrose.

O Norte registrou o maior crescimento anual de internações (2,57%) e de mortes (4,95%), seguido pelo Nordeste. O Sul, embora com variação menor, apresenta índices acima da média nacional: 10,5 internações e 5,6 óbitos por cada 100 mil habitantes.

Dados por região e perfil dos pacientes

A incidência geral se mantém em alta em todas as regiões. Homens responderam por 82% das internações e 88% das mortes. Entre os internados, a faixa de 40 a 59 anos representa 55,6%, com igual participação de brancos e de pretos/pardos entre as vítimas. A escolaridade, na maioria dos casos, é de sete anos ou menos.

Desafios de diagnóstico, acesso e stigma

A pesquisadora Geisa Gomide ressalta que o aumento pode refletir mais diagnóstico ou melhoria nos registros, além do avanço real da doença. O hepatologista Roberto Carvalho Filho aponta que o problema é antigo e subestimado, associando consumo episódico elevado a um padrão social de bebida.

Desigualdades regionais influenciam os números: áreas com menor acesso à saúde tendem a registrar diagnósticos tardios e óbitos não registrados corretamente. Na prática clínica, grande parte dos pacientes chega a fases avançadas, limitando opções de tratamento.

Barreiras sociais e tratamento

Entre os fatores de risco, está a persistência de padrões de consumo abusivo em cerca de 15% da população. A combinação de baixos índices de escolaridade e dificuldades de acesso à saúde intensifica o impacto da doença. A indústria de bebidas é citada como influenciadora de aceitação social do álcool.

A doença hepática alcoólica é hoje a principal causa de cirrose no Brasil e no mundo ocidental, respondendo por parcela significativa de casos em centros especializados, apesar de captar menos investimento científico do que outras condições.

Abordagem clínica e perspectivas

No contato com pacientes, a estratégia envolve redução de danos e, quando possível, abstinência. Em unidades como o ambulatório de doença hepática alcoólica da Unifesp, o acompanhamento supera 500 pacientes, com adesão em torno de 70%. O objetivo é diagnóstico precoce e redução do consumo para interromper a progressão da doença.

O estudo reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção do uso abusivo de álcool, ao aprimoramento do diagnóstico precoce e à organização da assistência para grupos mais vulneráveis.

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