- Lago salmouro no fundo do Golfo do México, chamado Jacuzzi do Desespero, fica a cerca de mil metros de profundidade.
- A água é hipersalina, com salinidade entre quatro e cinco vezes acima da do oceano, sem se misturar às correntes.
- Existem condições de anóxia total (falta de oxigênio) e temperaturas em torno de 19 °C, que promovem a preservação das criaturas.
- A mumificação natural ocorre pela desidratação rápida dos tecidos, mantendo carcaças intactas por décadas.
- Às bordas do lago, moradoras são bactérias e mexilhões que realizam quimiossíntese, formando um ecossistema de fronteira.
O que é chamado de lago mortal foi identificado no fundo do Golfo do México, a cerca de mil metros de profundidade. Trata-se de uma piscina de salmoura extremamente densa, formada no leito oceânico, que pode preservar organismos como se fossem estátuas submersas. A formação ocorre a partir de salinas antigas soterradas, expostas pela ação de falhas geológicas.
A “Jacuzzi do Desespero” tem circunferência de 30 metros e foi mapeada pela primeira vez pelo navio de pesquisa Nautilus, em 2015. No subsequente mapeamento, a área revelou um ambiente químico único, capaz de sustentar a diferença entre água salgada densa e o oceano ao redor.
A salmoura, com temperatura cercana a 19 °C, apresenta salinidade 4 a 5 vezes maior que a do mar. O oxigênio está ausente, o que gera anóxia severa. Compostos como metano e sulfeto aparecem no interior, agravando a toxicidade do ambiente.
Vida nas bordas do lago
Apesar de o interior ser hostil, a marginal da salmoura abriga formas de vida adaptadas ao ambiente extremo. Mexilhões do gênero Bathymodiolus fixam-se na linha de contato entre a salmoura e a água limpa, formando um ecossistema de fronteira.
Bactérias simbióticas convertem gases tóxicos em nutrientes para as conchas. Predadores oportunistas exploram as criaturas paralisadas na borda. Essa estreita zona de convivência sustenta a biologia extremófila local através de processos de quimiossíntese.
Relevância científica e espacial
Especialistas veem o lago como modelo para entender limites da biologia em ambientes com altas concentrações de sal e ausência de oxigênio. Estudos sobre metanotróficos ajudam a compreender como a vida pode surgir sem presença de luz solar.
Pesquisadores destacam a utilidade de tais ambientes para a astrobiologia, simulando condições que podem existir em luas distantes. A preservação natural de tecidos e a interação entre salmoura e rocha oferecem dados para modelos de evolução biológica antiga.
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