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Maioria acredita em pelo menos um dos 6 mitos de saúde, aponta pesquisa

Pesquisa global revela que setenta por cento acreditam em ao menos uma das seis declarações falsas sobre saúde, evidenciando desinformação disseminada

Nova pesquisa mostra que a desinformação em saúde é um problema que está disseminado
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  • A pesquisa global Edelman Trust Barometer Health 2026, com respostas de mais de 16 mil pessoas em 16 países, aponta que sete em cada dez acreditam em pelo menos uma das seis afirmações falsas sobre saúde.
  • Os mitos incluem: proteína animal é mais saudável (32%), fluor na água é prejudicial ou inútil (32%), riscos das vacinas infantis superam os benefícios (31%), leite cru é mais saudável que o pasteurizado (28%), acetaminofeno na gravidez causa autismo (25%) e vacinas usadas para controle populacional (25%).
  • Dados mostram que não é problema marginal: 69% dos formados e 70% dos não formados sustentam ao menos uma dessas crenças; as crenças atravessam espectros políticos e faixas etárias.
  • A confiança pública na capacidade de tomar decisões de saúde caiu, com 51% confiando em encontrar respostas confiáveis; a confiança na mídia para cobertura de saúde está em 46%.
  • A pesquisa aponta que médicos continuam sendo a voz mais confiável, mas a IA já é usada por 35% para gestão da saúde, com 64% acreditando que alguém fluente em IA pode realizar tarefas médicas tão bem quanto um médico.

Durante o Relatório Especial 2026 Edelman Trust Barometer sobre Confiança e Saúde, foram ouvidas mais de 16 mil pessoas em 16 países. A pesquisa mostra que 70% dos entrevistados acreditam em pelo menos uma de seis afirmações amplamente desmentidas sobre saúde.

Entre as crenças contestadas estão: proteína animal ser a opção mais saudável, fluoretação da água ser prejudicial ou inútil, vacinas infantis terem mais riscos que benefícios, leite cru ser mais saudável que o pasteurizado, uso de acetaminofeno na gravidez associar-se ao autismo e vacinas servirem para controle populacional.

O estudo revela ainda que o problema da desinformação não se restringe a determinadas regiões ou camadas da população. Entre pessoas com diploma universitário, 69% mantêm ao menos uma dessas crenças, índice muito próximo aos 70% entre quem não tem diploma. A desigualdade de crenças se estende a diferentes posições políticas e faixas etárias.

Desinformação a nível global

A pesquisa aponta variação maior entre países em desenvolvimento e desenvolvido, com o fenômeno presente em todos os grupos. Estados Unidos, frequentemente associado a debates sobre desinformação em saúde, não aparece entre os países com maiores níveis de crença nesses mitos.

A crise de confiança também se traduz em menor confiança nas instituições e na mídia. Dados indicam queda de 10 pontos percentuais na confiança pública para encontrar respostas confiáveis em saúde, atingindo 51% em 16 países analisados. A confiança na mídia permanece 11 pontos abaixo do nível pré-pandemia, em 46%.

A erosão de confiança acompanha a percepção de dificuldades para acessar atendimento de saúde. Em 2025, 35% dos americanos relataram dificuldades para obter cuidados de qualidade e acessíveis, segundo estudo West Health-Gallup. Em 2026, pesquisa da KFF mostrou que saúde é a maior preocupação de gastos domésticos.

IA, autogestão e o papel do profissional de saúde

Mais pessoas recorrem à inteligência artificial para temas de saúde, com 35% usando IA de alguma forma para gerenciar a saúde pessoal. Entre quem utiliza IA, muitos veem a IA capaz de tarefas médicas, como dar segunda opinião diagnóstica.

Apesar da mudança, médicos seguem como fonte de confiança em saúde. O relatório aponta que a relação entre pacientes e profissionais de saúde precisa evoluir, com ênfase em orientar em vez de ditar decisões.

Caminhos para o entendimento

Os pesquisadores destacam que o desafio não está apenas na quantidade de informação, mas na forma como as pessoas escolhem fontes confiáveis. A proposta é ampliar o diálogo entre pacientes e profissionais, buscando resultados em saúde e práticas mais colaborativas.

A equipe da Edelman ressalta que compreender quem compõe o público das crenças divisivas ajuda a planejar estratégias mais eficazes, com foco no acesso real à informação confiável e na participação da sociedade no ecossistema de saúde.

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