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Primeiro medicamento para retardar Alzheimer chega ao Brasil, diz neurocientista

Primeiro medicamento que desacelera a progressão do Alzheimer chega ao Brasil, com uso restrito a estágios iniciais e necessidade de diagnóstico precoce

Brasil aprova lecanemabe, o primeiro remédio que freia a progressão do Alzheimer
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  • Brasil deve receber em junho o lecanemabe, o primeiro medicamento aprovado para atuar na progressão do Alzheimer, destinado a estágios iniciais da doença.
  • O fármaco é um anticorpo monoclonal que atua sobre as placas de beta-amiloide e, em estudos, mostrou desaceleração do declínio cognitivo em pacientes na fase inicial.
  • O diagnóstico precoce é destacado como essencial para a eficácia do tratamento, já que a terapia funciona melhor quando há preservação de funções cerebrais.
  • O medicamento não é cura; objetiva desacelerar a progressão e exige critérios rigorosos de uso, incluindo confirmação diagnóstica e biomarcadores, com atenção aos possíveis efeitos adversos.
  • A chegada da terapia levanta questões sobre acesso, custo e estrutura diagnóstica no Brasil, apontando para uma nova era na neurologia e no cuidado com a saúde cognitiva.

O Brasil deve receber em junho o primeiro medicamento autorizado pela Anvisa que atua na progressão do Alzheimer. O lecanemabe foi aprovado para pacientes em estágios iniciais da doença e representa um marco histórico na neurologia nacional.

A droga é um anticorpo monoclonal que atua sobre as placas de beta-amiloide no cérebro, associadas ao Alzheimer. Em estudos, houve desaceleração do declínio cognitivo em pacientes com doença em fase inicial, o que reforça a ideia de uma nova abordagem terapêutica.

O destaque fica por conta do seu uso restrito a critérios diagnósticos específicos, incluindo a confirmação por biomarcadores. O tratamento exige acompanhamento cuidadoso, pois pode trazer efeitos adversos como edema cerebral e micro-hemorragias.

Desafios para o diagnóstico e o acesso

Para o neurocientista Fernando Gomes, a eficácia do medicamento depende do diagnóstico precoce. Muitos pacientes ainda chegam ao neurologista em estágio avançado, dificultando o benefício da terapia e a preservação de funções cerebrais.

A chegada do lecanemabe acende o debate sobre custos, disponibilidade e estrutura diagnóstica no país. Mesmo com o potencial de desaceleração da doença, não há cura nem recuperação completa da memória segundo o especialista.

O avanço também sugere a necessidade de ampliar a detecção precoce, orientar a população sobre sintomas iniciais e fortalecer o sistema de saúde para acompanhar pacientes em tratamento com a nova terapia.

Segundo Gomes, o marco é simbólico: confirma que é possível interferir de forma mais eficaz nos mecanismos biológicos da doença, alterando a percepção social sobre envelhecimento e saúde cognitiva.

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