- O CEO da Fireblocks, Michael Shaulov, diz que a ameaça quântica ao Bitcoin não é puramente técnica, e que a migração para criptografia pós-quântica depende de coordenação entre desenvolvedores e a comunidade antes do Q-Day.
- Segundo ele, não é um desafio técnico, pois o Bitcoin já mudou esquemas de assinatura algumas vezes ao longo de sua história; o ponto é concordar com um plano e executar as etapas.
- A discussão ocorre em meio ao acirramento de previsões sobre o Q-Day: a empresa Project Eleven aponta que ele pode chegar já em 2030, antecipando cronogramas de pesquisas do Google.
- Além da criptografia, Shaulov ressalta riscos de hackers patrocinados por Estados, como o Lazarus Group da Coreia do Norte, que podem impactar mais do que a volatilidade de preços.
- A privacidade é apontada como entrave para adoção corporativa: pagamentos cripto, se usados por grandes empresas, podem ficar visíveis publicamente em exploradores de blockchain, o que dificulta a adoção por empresas Fortune 500.
Ameaça quântica ao Bitcoin pode exigir coordenação da comunidade, diz CEO da Fireblocks. Em evento do Financial Times, Michael Shaulov afirmou que a migração para criptografia pós-quântica depende de um acordo entre desenvolvedores e a comunidade, seguido pela implementação das etapas. Ele disse que não se trata de um desafio técnico, mas de alinhamento entre actores da rede.
Segundo Shaulov, a transição para esquemas de assinatura resistentes à computação quântica deve ocorrer antes de um possível dia em que as máquinas quânticas comprometam a segurança. O período é visto como uma oportunidade de planejamento, não como uma corrida tecnológica isolada.
O executivo reforçou que já houve mudanças de esquemas de assinatura no Bitcoin ao longo de sua história e que a chave é o planejamento colaborativo, com a comunidade concordando com um roteiro e executando as ações necessárias para evitar vulnerabilidades futuras.
Paralelamente, pesquisadores aceleraram as estimativas do Q-Day, momento em que a criptografia atual seria ameaçada por computadores quânticos. Relatórios recentes sugerem que o marco pode ocorrer já em 2030, antecipando previsões de alguns especialistas.
No debate, Shaulov destacou também riscos ligados à privacidade. Em ambientes corporativos, como mercados de capitais, a visibilidade das transações em blockchains públicas pode representar entrave à adoção por parte de grandes empresas, afirmou.
Ele citou o investimento de empresas públicas, como grandes redes varejistas, que adotaram pagamentos cripto. Em termos práticos, pagamentos aceitos podem tornar-se visíveis publicamente, o que representa preocupação para privacidade de receitas. O tema é apontado como central para avanços significativos no setor.
A Fireblocks aponta ainda para ameaças de hackers patrocinados por estados, com casos como o Lazarus Group. Esses ataques são vistos como impactantes para a confiança institucional, especialmente quando grandes somas em criptomoedas são envolvidas.
A conversa ocorreu em meio a ataques relevantes ao ecossistema cripto, com exemplos envolvendo saques milionários em plataformas DeFi e ataques a projetos vinculados a exchanges. Especialistas destacam que segurança, privacidade e coordenação técnica são chaves para a adoção institucional.
Coordenação e próximos passos
Participantes do setor consideram essencial a criação de um plano comum entre desenvolvedores, empresas e comunidades para a transição para criptografia pós-quântica. A ideia é consolidar decisões técnicas, prazos e mecanismos de implementação de modo transparente. Fontes associadas à discussão indicam que, sem coordenação, a janela para a adoção segura pode se tornar mais estreita com o tempo.
No contexto amplo, a discussão sobre proteção de dados e privacidade permanece central para o avanço de aplicações corporativas da criptomoeda. Com o avanço de casos de uso institucionais, a necessidade de equilíbrio entre segurança e transparência continua em evidência.
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