- Novo estudo mostra que bocejo é contagioso também entre gestante e feto, sem interação social direta.
- Ao observar um ator bocejar, cerca de dois terços das gestantes bocejaram em cerca de noventa segundos.
- Em ultrassonografia subsequente, oitenta por cento dos fetos dessas gestantes também bocejaram após o mesmo intervalo de tempo.
- Os resultados sugerem que o contágio envolve uma “bola de neve” no cérebro, com tempo de cerca de noventa segundos para se propagar e provocar a ação.
- A pesquisa indica que o contágio comportamental pode ser uma consequência inevitável da organização dos circuitos cerebrais, independentemente de contágio social ou cognitivo.
Após um estudo recente, pesquisadores mostraram que bocejar pode ser contagioso mesmo sem contágio social ou cognitivo. A equipe liderada por Vittorio Gallese, da Universidade de Parma, analisou a transmissão entre gestante e feto.
A pesquisa, publicada na Current Biology, investiga a ideia de que o contágio nasce de circuitos cerebrais de base similar aos neurônios-espelho. Esses circuitos conectam preparação de ações e percepção de suas consequências.
Entre gestantes, dois terços bocejaram cerca de 90 segundos após ver um ator bocejar. Em ultrassons, 80% dos fetos também apresentaram bocejo no intervalo de aproximadamente 90 segundos. Os resultados indicam uma transmissão pré-natal da resposta.
Contágio não social e neurônios-espelho
Os autores sugerem que o bocejo se espalha por meio de mecanismos cerebrais que operam independentemente de interação social. A hipótese é que a “bola de neve” do bocejo se forma no cérebro da gestante e afeta também o feto, possivelmente via circulação sanguínea.
Essa leitura reforça a ideia de que imitação é uma propriedade de bases neurofisiológicas comuns ao redor do mundo. O estudo discute ainda como o contágio se baseia na organização dos circuitos que conectam ações, percepções e respostas fisiológicas.
Implicações para a compreensão do comportamento
Os resultados ajudam a entender como ações simples podem se propagar entre indivíduos, ainda que não haja interação direta. A equipe ressalta que o contágio pode ocorrer por vias fisiológicas e neurais, não apenas por fatores sociais.
Referência
D’Adamo G., Gallese V (2026) Prenatal behavioral contagion through maternal yawning and fetal resonance. Current Biology 36, 1-7.
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